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Patinetes estão na mira de advogados de lesão corporal nos EUA

Anousha Sakoui e Edvard Pettersson

(Bloomberg) -- A Bird Rides e outras startups de patinetes foram duramente criticadas por defensores de pedestres, políticos e cidadãos aborrecidos. Agora, elas têm um novo inimigo: advogados especializados em casos de lesão corporal.

Nos últimos meses, pessoas que se machucaram enquanto dirigiam patinetes (ou que foram atropeladas por elas) em São Francisco e Los Angeles têm acionado escritórios de advocacia para entrar com ação judicial. Farejando uma oportunidade, as empresas até abriram espaços em seus sites para instigar pessoas a entrar com ações judiciais ligadas a patinetes. "Quando as vimos pela primeira vez 'voando' por Santa Mônica e abandonadas casualmente nas calçadas da cidade, pensamos: este é um acidente esperando para acontecer", alardeou a McGee Lerer & Associates.

Los Angeles está repleta de advogados especialistas em lesão corporal em busca de casos. "Os advogados vão se portar como advogados quando houver a possibilidade de ganhar algum dinheiro", diz John Perlstein, um veterano com 25 anos de carreira que litiga ações judiciais por acidentes encaminhadas para ele por outros advogados. "A maioria tenta manter as portas abertas e torce para receber um caso milionário." Por enquanto, não há registros de ações apresentadas contra a Bird ou sua rival, a Lime, mas os advogados dizem que apenas é questão de tempo.

As patinetes começaram a aparecer em muitos lugares dos EUA no ano passado. Elas podem ser destravadas pelo smartphone por um dólar, o aluguel custa US$ 0,15 por hora, e elas chegam 24 quilômetros por hora. Essas máquinas se tornaram populares - e polêmicas. As empresas consideram que elas são o próximo passo da revolução do transporte iniciada por Uber e Lyft. Seus inimigos consideram que se trata de uma moda irritante entre turistas e trabalhadores do setor de tecnologia, que andam por aí colocando a si mesmos e a outros em perigo.

Os investidores projetam que as patinetes chegaram para ficar no cenário urbano. A Bird e a Lime estão organizando grandes rodadas de investimento para alimentar sua expansão. Embora a revolução das patinetes tenha sido interrompida em São Francisco enquanto as operadoras solicitam licenças, elas devem reaparecer dentro de semanas, quando a cidade realizar um programa-piloto. Elas continuam ziguezagueando pelo trânsito em Santa Mônica e outras cidades. Acidentes acontecem.

Catherine Lerer, do casal que compõe a equipe jurídica da McGee Lerer, diz que recebeu o primeiro telefonema ligado a uma patinete há cerca de cinco meses. Um garoto de 16 anos tinha se machucado ao cair de uma patinete da Bird, e a família queria entrar com ação judicial. Desde então, o telefone não parou de tocar. Muitos dos acidentes envolvem jovens que quebraram a clavícula ou o braço em acidentes, quando os freios travaram ou eles perderam o controle da patinete, diz Lerer.

A Bird, com sede em Santa Mônica, preferiu não comentar. A Lime, com sede em San Mateo, afirma não ter sido processada nem saber de incidentes com usuários de suas patinetes.

Lerer projeta que o número de acidentes aumentará, particularmente em campi universitários e em áreas com muitos turistas. "É como uma praga", diz ela. "Está se espalhando rapidamente."

--Com a colaboração de Joshua Brustein.

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