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Bônus bancário reforça cultura machista, diz painel britânico

Lucy Meakin

13/06/2018 12h19

(Bloomberg) -- Os parlamentares britânicos estão pedindo uma revisão da forma de pagamento de bônus a executivos bancários para ajudar as mulheres a conseguirem uma representação maior no setor.

A percepção de que os homens argumentam com mais força ao negociar bônus -- e, portanto, conseguem recompensas mais elevadas -- pode afastar as mulheres de trabalhos em serviços financeiros, segundo relatório do painel parlamentar que fiscaliza o Tesouro. O órgão pediu que os pagamentos relacionados ao desempenho sejam avaliados com base em critérios "claramente objetivos e baseados em fórmulas" para ajudar a combater a cultura do "macho alfa".

"Existe uma cultura que deixa as mulheres de fora, não na hora de entrar na empresa, mas à medida que elas avançam e progridem em suas carreiras", disse o presidente do Comitê do Tesouro, Nicky Morgan, em entrevista à Bloomberg Television. "Os bônus são uma manifestação disso. As mulheres não gostam de ter que lutar e pedir dinheiro."

Entre as propostas, o grupo defendeu que mais homens com cargos de chefia "deem o exemplo" no tocante à flexibilidade do trabalho para reduzir o estigma que pode afetar negativamente o progresso das mulheres em suas carreiras, e que os bancos encorajem a licença parental compartilhada.

O grupo recomendou também uma nova análise das políticas de recrutamento e promoção para combater o preconceito inconsciente e promover o estudo de temas relevantes para as mulheres para incentivá-las a entrar no setor.

O relatório está baseado nas novas exigências de divulgação do déficit salarial por gênero, que mostram que as mulheres dos bancos e das sociedades de construção do Reino Unido ganham 35 por cento menos por hora, em média, do que seus colegas homens e recebem bônus em média 52 por cento inferiores.

O relatório declara que as firmas deveriam ser obrigadas a publicar estratégias de apoio ao progresso das mulheres e acrescentou que a decisão de algumas empresas de excluir os associados das declarações de dados salariais é "ultrajante".

--Com a colaboração de Francine Lacqua e Kevin Costelloe.

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