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Brasil deve ser importador líquido de etanol pelo 2º ano seguido

Fabiana Batista

13/06/2018 11h36

(Bloomberg) -- A indústria açucareira do Brasil é de longe a maior do mundo, ajudada em parte pelo enorme mercado doméstico do etanol feito a partir da cana-de-açúcar. Apesar disso, o país provavelmente será importador líquido do biocombustível pela segunda temporada seguida, segundo uma trading.

As importações podem ultrapassar as exportações em 400 milhões de litros no ano-safra atual de 2018-2019, contra 290 milhões de litros na temporada anterior, afirma a Bioagência, com sede em São Paulo.

Esmiuçando os números, a empresa prevê importações estáveis, com um volume recorde de 1,7 bilhão de litros. Mas as exportações cairão 20 por cento porque o biocombustível brasileiro está se tornando caro demais para o mercado mundial em comparação com o etanol americano, que é baseado no milho, disse Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, em entrevista em São Paulo.

"O Brasil está perdendo participação de mercado até na Califórnia, onde o etanol de cana tem prêmios elevados por seu menor impacto ambiental", disse.

Os futuros do açúcar em Nova York caíram 16 por cento neste ano, pior desempenho do Bloomberg Commodity Index. Consequentemente, a indústria açucareira do Brasil está desviando o máximo possível do caldo da cana para a produção de etanol. O biocombustível está gerando às usinas 15 por cento mais receita que o açúcar, segundo a INTL FCStone. Essa diferença em faturamento, contudo, não é suficiente para ampliar a produção local de biocombustível, porque os canaviais envelhecidos vêm sendo afetados pela estiagem.

Enquanto isso as importações de etanol americano estão crescendo, apesar da tarifa de 20 por cento imposta pelo Brasil no ano passado para volumes superiores à cota anual de 600 milhões de litros, disse Rodrigues. O setor de cana-de-açúcar do Brasil perdeu capacidade de expansão após quase uma década de crise. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), 50 usinas sucroalcooleiras foram desativadas e mais de 70 pediram recuperação judicial no Brasil desde 2011.

"O déficit de etanol do Brasil pode não mudar nos próximos anos porque o investimento em novas usinas continua estagnado", disse.

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