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Rochas e tempestade solar ameaçam rede elétrica nos EUA

Brian K. Sullivan

13/06/2018 13h51

(Bloomberg) -- Esta é uma preocupação que provavelmente você nem sabia que deveria ter: existe uma camada de rocha de 300 milhões de anos sob a Rodovia Interestadual 95 (I-95) que poderia deixar sem luz uma área que vai de Washington até Boston e além da próxima vez que o sol entrar em erupção com toda a sua fúria.

Parece exagero? Talvez. Mas não para os cientistas. Uma tempestade solar atualmente é considerada um risco, e operadoras de redes elétricas em toda a América do Norte estão elaborando planos para reagir a esse tipo de perturbação. O esboço de um relatório que em breve será publicado pelo Serviço Geológico dos EUA identifica o litoral leste do país como uma das áreas mais ameaçadas.

Essa rocha do Paleozoico não permite que a energia de uma grande tempestade geomagnética - o tipo de evento que ocorre uma vez a cada 100 anos - atravesse-a e funciona como uma barreira que rebate a explosão para cima do solo, dando-lhe uma segunda chance de provocar o caos.

"É um problema ativo que muitos estão tentando compreender e resolver", disse Christopher Balch, cientista espacial do Centro de Previsão do Tempo do Espaço (SWPC, na sigla em inglês) em Boulder, Colorado.

Por azar, as piores dessas rochas basicamente seguem o trajeto da I-95 de Richmond, Virgínia, até Portland, Maine, passando por Washington, Nova York e Boston no caminho.

Isoladores

Elas são conhecidas pelos cientistas como isoladores, e quando a energia perturbadora do sol é rebatida por essas rochas, a grande quantidade de energia acrescentada à rede pode provocar apagões. Na pior das hipóteses, ela pode queimar vários transformadores e provocar blecautes cujo conserto poderia demorar meses, segundo o SWPC.

Até agora, apenas partes do centro dos EUA tinham sido estudadas, por isso a ameaça enfrentada pela região central do litoral Atlântico e pelo nordeste do país, as partes mais densamente povoadas dos EUA, era praticamente desconhecida, disse Jeffrey Love, geofísico e pesquisador do Serviço Geológico e principal autor do relatório que será publicado. O risco para a região é maior porque está mais perto do Polo Norte do que, por exemplo, a Flórida ou o Texas, o que a torna mais vulnerável a erupções solares.

O sol apresenta uma grande ameaça para a vida moderna na Terra. Uma grande tempestade geomagnética pode provocar grandes apagões, atrapalhar satélites de navegação e interromper o sinal radiofônico. Em 1989, uma tempestade geomagnética causada por uma erupção solar paralisou a rede elétrica do Quebec e deixou mais de 6 milhões de pessoas no escuro durante nove horas, segundo o North American Reliability Council.

Love disse que é provável que as rochas de lá sejam parecidas com as de Nova Inglaterra e Nova York, embora ele não tenha estudado a região. E nem todas as rochas podem provocar o caos. A rocha sedimentar presente na região central da Pensilvânia e em outros lugares permitiria a passagem das explosões solares.

"Só temos aproximadamente 35 anos de dados digitais", disse Balch. "A condutividade da Terra é algo que só agora está começando a se tornar disponível em modelos mais realistas."

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