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Toyota investe US$ 1 bi em empresa de carona compartilhada

Kevin Buckland e Yoolim Lee

13/06/2018 14h56

(Bloomberg) -- A Toyota Motor está fazendo a maior aposta já realizada por uma montadora no segmento de carona compartilhada, participando de novos negócios que ameaçam ser disruptivos para o modelo tradicional de propriedade de veículos do setor.

A fabricante de automóveis mais lucrativa do mundo investirá US$ 1 bilhão na Grab Holdings, de Cingapura, avaliando o maior serviço de carona compartilhada do Sudeste Asiático em pouco mais de US$ 10 bilhões, segundo uma pessoa a par da transação. Isso ocorre após um investimento inicial na empresa no ano passado por meio do braço de trading da Toyota, que forçou a Uber Technologies a sair da região.

O investimento da Toyota na Grab é o dobro do investimento da General Motors na Lyft em 2016, ressaltando a urgência do CEO Akio Toyoda em direcionar a empresa aos serviços de mobilidade. A fabricante de veículos de 81 anos, fundada pelo avô de Toyoda, está se preparando para uma intensificação da competição entre pares e entre gigantes da tecnologia à medida que o setor se transforma.

"Esta é uma boa decisão -- a Toyota não deve se atrasar nesta área", disse Tatsuo Yoshida, analista de valores da Sawakami Asset Management em Tóquio. "O compartilhamento de caronas chegou. Para as fabricantes de automóveis essa é uma realidade dolorosa. Mas pode ser uma oportunidade de negócios se elas a entenderem corretamente."

Futuro

As fabricantes de veículos e as empresas de tecnologia estão trabalhando em um futuro em que táxis-robôs autônomos reduzirão a necessidade de que cada pessoa tenha um carro. Toyoda -- que responderá a perguntas dos acionistas em uma reunião anual em Toyota City na quinta-feira -- investirá após a Cruise, a unidade de carros autônomos da GM, ter recebido um investimento de US$ 2,25 bilhões do SoftBank Group, do bilionário Masayoshi Son. As fabricantes de veículos estão procurando fortalecer seus conhecimentos em tecnologia à medida que novas rivais, como Waymo e Tesla, ameaçam redefinir a indústria automobilística.

Na colaboração entre indústrias sobre essas tecnologias disruptivas, as fabricantes de veículos têm duas vantagens: o conhecimento para fabricar automóveis e as fábricas para fazer isso. O que falta são as legiões de engenheiros de software que estão à disposição das empresas de tecnologia no Vale do Silício e em Xangai.

Como parte do acordo anunciado nesta quarta-feira, um executivo da Toyota será nomeado para o conselho da Grab. Representantes da Toyota e da Grab preferiram não comentar sobre a avaliação da Grab e sobre o tamanho da participação da Toyota. O investimento deverá ocorrer no fim deste mês, afirmou a Toyota.

"Este investimento não é necessariamente para ganhar dinheiro, mas para ter acesso a tecnologia que se encaixe em alguma parte do negócio geral da Toyota", disse Edwin Merner, presidente da Atlantis Investment Research, com sede em Tóquio, que não tem ações da Toyota, mas que investiu na Toyota Tsusho, o braço de trading que fez o investimento inicial na Grab. "Se a Toyota puder acumular conhecimentos sobre coisas como a navegação automatizada, isso vale a pena. Trata-se de pesquisa e desenvolvimento."

--Com a colaboração de Masatsugu Horie e Abigail Wen Yi Ng.

Repórteres da matéria original: Kevin Buckland em Tóquio, kbuckland1@bloomberg.net;Yoolim Lee em Singapore, yoolim@bloomberg.net

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