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Starbucks rejeita plástico e inicia corrida por canudo ecológico

Eliza Haverstock

10/07/2018 15h20

(Bloomberg) -- Craig Graffius criou a EcoGlass Straws há 12 anos com três décadas de experiência na fabricação de vidro e uma visão para uma alternativa ao onipresente canudo de plástico. Mas não houve nenhum clamor por seu produto.

Hoje, sua minúscula fábrica mantida por quatro pessoas em Hood River, no estado americano do Oregon, se prepara para produzir 2.000 canudos artesanais de vidro por hora. O ritmo atual é de 125 por hora, ou 1.000 por dia.

O aumento da produção da EcoGlass ressalta a onda de mudanças que sacode a cadeia de abastecimento em um momento em que o canudo surge como símbolo central da crise mundial do lixo plástico. Os consumidores buscam opções mais ecológicas e empresas como Starbucks, McDonald's e MGM Resorts International estão respondendo.

"Todos precisam encontrar um substituto", disse Graffius, que viu as encomendas mais que triplicarem nos últimos 12 meses após uma longa batalha para convencer os consumidores de que seus produtos eram mais que uma simples novidade. "Não previmos que isso aconteceria. Nós queríamos chegar ao mercado." Mas, em vez disso, o mercado "está vindo até nós".

Os canudos de plástico são apenas um exemplo de como as empresas estão sendo obrigadas a se adaptar às mudanças de atitude da população em relação ao meio ambiente. Para alguns, o abandono do plástico tradicional aumenta o custo, ameaça as vendas e força conversas incômodas com os clientes. Outros veem uma oportunidade para novos negócios com o aumento da demanda por alternativas.

Tartaruga marinha

O furor começou com um vídeo que viralizou em 2015 em que biólogos marinhos retiraram um canudo de dentro do nariz de uma tartaruga marinha. Depois, em 2017, a campanha "Strawless in Seattle" ("Seattle sem canudos") estimulou as cidades a agirem. O clamor público aumentou a tal ponto que McDonald's, Starbucks e MGM prometeram eliminar progressivamente a dependência internacional das empresas em relação aos canudos de plástico. A American Airlines Group anunciou na terça-feira que substituirá os canudos e mexedores de plástico por opções mais "ecológicas" de palha e bambu. A Alaska Air Group afirmou em maio que eliminará o uso de canudos de plástico descartáveis.

Os canudos representam apenas 0,03 por cento dos 8 milhões de toneladas de plástico que chegam ao oceano a cada ano, segundo estudo de 2015, mas as imagens perturbadoras chamaram a atenção do mundo para o problema.

"O movimento contra o plástico descartável vai muito além das pessoas que se identificam como ambientalistas", disse Maisie Ganzler, chefe de marca da Bon Appetit Management, uma rede de serviços alimentícios que anunciou em 31 de maio que deixaria de usar canudos tradicionais de plástico. "Quando veem a evidência fotográfica da quantidade de poluição plástica em nossos oceanos e no corpo de pássaros, peixes, tartarugas e baleias, as pessoas ficam com o estômago revirado, independentemente de sua visão política", disse Ganzler.

Enquanto isso, a fábrica de vidro de Graffius ganha novos clientes a cada dia, de hospitais a hotéis, devido à aceleração da reação ao plástico.

"É animador", disse Graffius. A empresa dele foi criada com um produto simples e ecológico que estava à frente de seu tempo, "e agora todos estão aderindo".

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