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Fundos quantitativos dos EUA entregam pior desempenho em 8 anos

Dani Burger

12/07/2018 12h28

(Bloomberg) -- Os fundos quantitativos nos EUA estão penando.

Investidores de estratégia sistemática, que atrelam a sorte aos ritmos do mercado acionário, estão registrando as piores taxas de retorno em oito anos, segundo uma estimativa de Wall Street.

O investimento em fatores - que seleciona ações com base em características como lucratividade e volatilidade - vai mal, enquanto o mercado como um todo se mantém de pé. Por exemplo, o fundo mútuo da AQR Capital Management, com US$ 1,9 bilhão e um dos maiores do segmento, amargou no mês passado sua maior perda até hoje.

É mais um golpe nos investidores de perfil quantitativo que tentam ganhar dinheiro neste ano em cima do ressurgimento da volatilidade nas bolsas e da angústia em relação ao rumo da economia.

Um motivo é que fatores que costumam se mover em direções opostas não se comportaram desta forma, caindo todos juntos no mês passado. Uma estratégia que aposta em ações baratas e compensa o que ocorre no mercado como um todo teve o pior desempenho trimestral desde 2011. Já a aposta nas ações de maior impulso, como as do setor de tecnologia, sofreu a maior perda mensal em mais de dois anos.

"Este período específico foi marcado pelo desempenho difícil para estratégias de valor", afirmou Jacques Friedman, diretor da AQR. "Os temas complementares, como impulso e qualidade, não foram suficientes para mitigar o desempenho inferior das estratégias de valor."

O fundo AQR Equity Market Neutral caiu 4,8 por cento em junho, na pior performance mensal desde que foi lançado, em 2014, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A perda acumulada em 2018 chega a 8,7 por cento, enquanto o Russell 1000 obteve retorno total de 5,8 por cento.

A firma sediada em Greenwich, no Estado de Connecticut, não está sozinha. Somente 17 por cento dos fundos mútuos de perfil quantitativo que atuam com ações de empresas de grande valor de mercado superaram o índice Russell 1000 em junho. Trata-se da pior comparação em mais de oito anos, segundo o Bank of America. Na Vanguard Group, o fundo mútuo neutro (que tenta ganhar se o mercado subir ou cair) com US$ 1,6 bilhão em ativos recuou 1,8 por cento, a pior taxa em mais de um ano. Um porta-voz da Vanguard se recusou a comentar sobre a performance.

Preocupações relativas ao comércio internacional e à oferta, que causaram volatilidade na cotação do petróleo, talvez tenham atrapalhado o retorno dos investimentos quantitativos, sugeriu Mark Connors, responsável por assessoria de risco no Credit Suisse Group.

"Quando petróleo ou taxas de juros se movem de modo inesperado, isso frequentemente resulta em padrões inesperados de preços para outros fatores, incluindo fatores relacionados a impulso, valor e outras referências", ele disse. "Isso também impacta os fatores customizados que os fundos quantitativos criam para obter retorno diferenciado."

Tempestade perfeita

As estratégias de valor foram mal na maior parte do ano. Alguns estrategistas culpam o amadurecimento do ciclo de negócios, que atinge particularmente as ações baratas. O raciocínio é que o segmento vai melhor no estágio inicial da expansão econômica, quando a força dos lucros levanta até as ações cronicamente subestimadas.

Mas diante da intensidade recente das perdas, catalisadores específicos a setores ou empresas talvez tenham exercido influência exagerada. Por exemplo, a Micron Technology tem o maior peso na carteira de valor puro da Bloomberg. A ação da fabricante de semicondutores desabou 9 por cento em junho, com a abertura de uma investigação oficial na China e a proibição das vendas de chips da empresa. Outra possibilidade é que, com o acúmulo das perdas, os programas de investimento podem ter vendido as posições de valor, desencadeando quedas maiores. É difícil prever o que faz o universo sistemático, mas há evidências de que esses investidores fizeram cortes generalizados. Na plataforma de serviços premium do Credit Suisse, investidores de renda variável de perfil quantitativo diminuíram a exposição a ações em 7 por cento na segunda quinzena de junho.