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Tradings de commodities temem escalada de guerra comercial

Jack Farchy, Andy Hoffman e Mario Parker

13/07/2018 14h24

(Bloomberg) -- As guerras comerciais que estão agitando os mercados internacionais representam também uma oportunidade para quem lida com commodities que movimentam economias.

No petróleo, na soja ou no aço, as tarifas estão subvertendo bilhões de dólares em fluxos de comércio, e os negociantes de commodities físicas controlam o tráfego.

"Não acreditamos que essa situação prejudicará a economia global, a menos que continue ganhando escala", disse Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura Group, segunda maior trading de metais e terceira maior negociadora independente de petróleo. "Haverá apenas um realinhamento maior dos fluxos, e é exatamente aí que entram as tradings."

O otimismo é reduzido pelo risco crescente de que as guerras comerciais abalem economias e, com isso, a demanda por matérias-primas. O Bloomberg Commodity Index, que engloba 22 matérias-primas, teve a maior queda em dois anos no mês passado, e a China, a maior consumidora de todo tipo de material, do cobre ao carvão, alertou que a proliferação de tarifas pode provocar uma recessão global.

"Pode haver um redirecionamento temporário dos fluxos, o que obviamente é uma oportunidade para alguns participantes do mercado", disse David Fyfe, diretor global de pesquisa e análise de mercado da Gunvor Group, quarta maior trading independente de petróleo. "Mas por trás disso está a preocupação de que a restrição ao comércio possa se estender até 2019 e 2020, o que é um fator que limita o crescimento econômico."

Esta não é a primeira vez que acontecimentos políticos atrapalham os mercados de commodities, e as ondas de choque muitas vezes beneficiam as tradings.

Marc Rich, fundador do que é hoje a Glencore, ganhou milhões com os choques do petróleo na década de 1970. Alguns negociantes de metais lucraram com o colapso da União Soviética, nos anos 1990, que despejou uma montanha de alumínio nos mercados internacionais. Mais recentemente, a Vitol Group ganhou dinheiro fornecendo combustível para forças rebeldes durante a guerra civil na Líbia.

"As cadeias de abastecimento globais atualmente estão à mercê da geopolítica", disse Jean-François Lambert, consultor e ex-diretor de financiamento ao comércio de commodities do HSBC Holdings. "A história mostra que as tradings se sobressaem em situações desse tipo."

As tradings ainda analisam o possível impacto das tarifas de reciprocidade de China e EUA sobre US$ 68 bilhões em importações e a ameaça de novas barreiras para US$ 200 bilhões em compras norte-americanas da China.

No caso do alumínio e do aço, primeiros alvos da artilharia comercial de Trump, as tarifas aumentaram a expectativa de recuperação da produção dos EUA. Juntamente com as sanções à russa United Company Rusal, em abril, ajudaram a desencadear um aumento no custo do alumínio nos EUA, beneficiando tradings como a Castleton Commodities International, que havia estocado o metal no país.

"A primeira rodada desse protecionismo foi bastante específica. Da perspectiva de uma empresa de commodities, apresentou uma oportunidade", disse Mark Hansen, CEO da Concord Resources, que negociou 1,25 milhão de toneladas de commodities no ano passado. As tarifas "criaram incentivos, arbitragens e também oportunidades para reinvestir nos EUA".

Repórteres da matéria original: Jack Farchy em Londres, jfarchy@bloomberg.net;Andy Hoffman em Genebra, ahoffman31@bloomberg.net;Mario Parker em Chicago, mparker22@bloomberg.net