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Bombardier busca vida nova para aviões regionais

Julie Johnsson e Frederic Tomesco

16/07/2018 15h40

(Bloomberg) -- A Bombardier busca na China um novo impulso para suas vendas de jatos regionais após entregar o controle de sua maior aeronave à Airbus.

As perspectivas de crescimento continuam atraentes para os aviões com menos de 100 assentos apesar da escassez de pilotos, que poderia colocar as aeronaves menores em desvantagem, disse Fred Cromer, presidente da divisão de aeronaves comerciais da Bombardier. A fabricante de aviões canadense também precisa concorrer com a joint venture planejada entre as rivais Embraer e Boeing.

"Vamos ver como essa parceria evolui", disse Cromer, no domingo, sobre o acordo Boeing-Embraer, cuja versão preliminar foi anunciada neste mês. "Nossa base instalada atual nos dá uma posição muito forte no negócio regional. Nosso conhecimento, nossa experiência e a relação com os clientes que temos continuarão rendendo grandes oportunidades para nós no futuro."

Os aumentos nas vendas de aviões regionais da Bombardier são fundamentais para o esforço de recuperação do CEO Alain Bellemare agora que a Airbus assumiu o controle do C Series, um avançado avião de fuselagem estreita rebatizado como A220 na semana passada. Após anos de cortes de custos destinados a manter a viabilidade do C Series, a Bombardier planeja possíveis investimentos e está de olho em mercados como a China, onde as autoridades estão orientando as startups aéreas a investir em serviços regionais.

"Estamos animados com a posição em que estamos. Temos um grande futuro à frente para nossos programas", disse Cromer, em entrevista, em Londres, na véspera do salão aeronáutico de Farnborough.

American e Delta

A Bombardier está trabalhando para expandir sua carteira de pedidos de aviões regionais após receber encomendas de duas das maiores empresas aéreas dos EUA nos últimos meses. A Delta Air Lines fechou acordo no mês passado para a compra de 20 aeronaves CRJ900 da Bombardier, avaliadas em cerca de US$ 961 milhões com base nos preços de lista. O negócio veio após acordo com a American Airlines, em maio, englobando pelo menos 15 jatos.

Se considerado o acordo com a Delta, a Bombardier acumula pedidos firmes para 1.953 aviões CRJ desde o lançamento, em 1992.

Embora a Bombardier tenha uma participação na parceria do A220, seu foco em aeronaves comerciais está novamente na família CRJ. As vendas dos jatos regionais perderam força nos últimos anos porque a fabricante com sede em Montreal investiu mais de US$ 6 bilhões no desenvolvimento do C Series. Os atuais jatos CRJ da Bombardier podem transportar entre 66 e 104 passageiros.

O interesse dos clientes no CRJ nos EUA e em outras regiões foi impulsionado pela nova cabine, chamada Atmosphere, lançada pela Bombardier no ano passado. A empresa agora estuda a possibilidade de usar essa cabine -- que possui compartimentos de bagagem superiores maiores -- em sua linha de aviões turboélice Q400 para estimular as vendas, disse Cromer à Bloomberg News, no mês passado.

Repórteres da matéria original: Julie Johnsson em Chicago, jjohnsson@bloomberg.net;Frederic Tomesco em Montreal, tomesco@bloomberg.net