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Petróleo emana de rochas em Utah e alimenta sonhos de riqueza

Catherine Traywick

17/07/2018 15h15

(Bloomberg) -- Nos dias quentes na bacia de Uinta, em Utah, petróleo escorre pelas rochas. Riachos de alcatrão preto insinuam as riquezas inexploradas contidas ali dentro. Ao pegá-la com a mão, a pedra se esfacela, tão quente e semelhante à cera como o asfalto fresco.

A perspectiva de ter acesso a essas riquezas atraiu um grupo variado para este deserto nos arredores de Vernal, não muito longe da fronteira com o Colorado. Os homens por trás da Petroteq Energy - um ucraniano que é chefe de uma empresa de frete rodoviário da Califórnia, um químico e um executivo que recentemente trabalhava com fertilizantes - esperam ser os primeiros a extrair petróleo bruto das chamadas areias petrolíferas de Utah, algo que poucos tentaram e que ninguém conseguiu. Onde outros veem sálvia nodosa e afloramentos abruptos, eles imaginam uma reserva capaz de produzir durante décadas, que eclipsaria os poços que se esgotam rapidamente na prolífica Bacia do Permiano.

"Quando você vê os recursos que temos nesta área, é tremendo", disse o CEO da Petroteq, David Sealock. "Aqui temos petróleo suficiente para produzir 10.000 barris por dia durante mais de 25 anos." Isso seria significativo para Utah, que no ano passado produziu apenas 91.000 barris por dia, a par do Kansas, mas uma gota no oceano para os EUA, cuja produção subiu para 10,9 milhões de barris por dia.

Recompensa possível

A Petroteq faz parte de um novo grupo de exploradores de petróleo que se mobilizou desde que os preços do petróleo bruto nos EUA começaram a subir no ano passado. Eles rejeitam o dinheiro fácil do fracking e preferem as possíveis recompensas gigantescas de empreendimentos especulativos com prazos de entrega prolongados e custos elevados. Entre as empresas convergindo para Utah estão a Enefit, uma companhia estoniana que planeja extrair petróleo bruto de uma densa formação de rocha a 96 quilômetros ao sul de Vernal, e a Rose Petroleum, que tem sede em Londres e pretende adotar a tática incomum de perfurar um reservatório naturalmente fragmentado.

Para eles, Utah é um paraíso de vastos recursos inexplorados e regulamentações permissivas. O estado oferece um crédito tributário de 75 por cento para "energia alternativa" a qualquer empresa capaz de produzir 1.000 barris de petróleo de areias petrolíferas ou xisto. Utah tem alguns dos maiores depósitos de areias petrolíferas e petróleo de xisto do mundo. O desafio é o desenvolvimento.

A última empresa a tentar, a U.S. Oil Sands, entrou com pedido de recuperação judicial em 2017 após ter gastado mais de US$ 60 milhões em uma usina que não produziu um barril sequer. Supostamente, as instalações da Petroteq, a poucos quilômetros de Vernal, em uma área rejeitada pelos mórmons porque "não serve para nada além de manter o mundo unido", iam começar a produção neste trimestre. Em visita feita em junho, a usina ainda não estava produzindo petróleo bruto.

Mesmo que a aposta da Petroteq render frutos, isso poderia demorar para acontecer. Ed Koshka, consultor de energia que dirigiu o desenvolvimento comercial para a U.S. Oil Sands antes de a empresa falir, fez uma advertência.

"Todos encontram o mesmo obstáculo na hora de vender sua tecnologia", disse ele.

--Com a colaboração de Robert Tuttle.