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Droga da Allergan preserva visão, mas com risco de inflamação

Michelle Fay Cortez

19/07/2018 14h30

(Bloomberg) -- O medicamento experimental da Allergan para a principal causa de cegueira em idosos pode ser ministrado com menos frequência e é tão eficaz quanto uma injeção mensal padrão, mostram dois importantes estudos, mas as persistentes preocupações com os efeitos colaterais podem diminuir o entusiasmo com o tratamento.

O novo tratamento desencadeou inflamação leve ou moderada dentro do olho em cerca de 15 por cento dos pacientes, um resultado semelhante ao observado em testes anteriores. A complicação não atrasará o plano de pedir aprovação regulatória para o medicamento nos EUA -- conhecido como abicipar -- no primeiro semestre do ano que vem, embora a empresa esteja estudando uma versão purificada que deverá gerar menos riscos de efeitos colaterais, disse David Nicholson, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Allergan.

Se aprovado, o medicamento, que está sendo desenvolvido em conjunto com a empresa suíça Molecular Partners, entraria em um mercado de US$ 6 bilhões dominado por medicamentos da Roche Holding, da Regeneron Pharmaceuticals e da Bayer.

A principal vantagem do medicamento da Allergan em relação aos tratamentos mais antigos é que ele pode ser aplicado a cada 12 semanas, e não mensalmente, como o Lucentis, da Roche, ou a cada dois meses, como o Eylea, da Regeneron e da Bayer. Considerando que os medicamentos são ministrados por meio de uma incômoda injeção direta no olho, essa diferença é significativa.

"Se é preciso receber uma injeção no olho, é muito melhor que seja a cada 12 semanas, e não a cada quatro semanas", disse Nicholson. "Acho que mais pacientes buscarão o tratamento."

O tratamento da Allergan pode ter concorrência, no entanto. O brolucizumabe, da Novartis, também mostrou benefício para alguns pacientes tratados a cada três meses, e os produtores do Eylea também pretendem oferecê-lo com essa periodicidade.

Analistas estimam que o medicamento alcançará US$ 446,6 milhões em vendas anuais até 2025, segundo dados da Bloomberg, e a Allergan informou que ele poderia gerar um máximo de US$ 2 bilhões.

Cerca de 11 milhões de americanos têm degeneração macular relacionada à idade, condição em que os danos à retina prejudicam a visão central. Os tratamentos existentes podem controlar a doença durante anos, mas muitos pacientes acabam atrasando ou pulando injeções.

David Maris, analista do Wells Fargo, projetou no ano passado que o abicipar poderia ser um divisor de águas se seus benefícios durassem mais que os do Eylea ou se o tratamento fosse mais eficaz do que o de qualquer rival aprovado.

Os dois estudos, conhecidos como Sequoia e Cedar, compararam o abicipar ministrado a cada oito semanas ou a cada 12 semanas com o Lucentis, que é mensal. Todos os pacientes receberam inicialmente injeções a cada quatro semanas e foram avaliados após um ano de tratamento.

A Allergan planeja apresentar detalhes dos estudos em um encontro médico futuro.