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Spread recorde do minério será achatado, diz Goldman

Krystal Chia

19/07/2018 12h20

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs acaba de olhar abaixo da superfície do mercado global de minério de ferro em meio à explosão dos spreads entre os materiais de alta e de baixa qualidade e o banco de Wall Street prevê que os diferenciais recorde que surgiram neste ano agora estão prestes a encolher.

As restrições ambientais mais rigorosas na China, aliadas à queda dos carregamentos brasileiros de minério de alta qualidade neste ano, ajudaram a tornar o minério de alta qualidade mais de 30 por cento mais caro por tonelada do que o material com 62 por cento de teor ferroso, informa o Goldman em relatório. Esse diferencial recorde não deverá perdurar.

A fuga para a qualidade transformou o mercado global nos últimos dois anos e as autoridades da China continental insistem com uma iniciativa antipoluição e estão forçando as usinas a darem preferência ao material de alta qualidade. A tendência tem sido reforçada pelas margens elevadas das siderúrgicas e pelo carvão de coque mais caro e, embora com um preço mais alto, o uso do minério de ferro de alta qualidade garante mais eficiência e reduz a poluição. A brasileira Vale está entre as empresas que mais deverão ganhar com a tendência porque conta com a produção de alta qualidade de sua gigantesca mina S11D.

"Nos últimos 30 dias, as exportações de minério de ferro do Brasil vêm aumentando, o que sugere que o prêmio do minério de 66 por cento em relação ao de 62 por cento pode diminuir um pouco", informou o Goldman na nota de 18 de julho. Haverá um "declínio parcial" do prêmio, afirmou, sem oferecer uma perspectiva precisa.

Após tropeçar em março, o minério de alta qualidade com 65 por cento de teor ferroso avançou todos os meses e atingiu US$ 91,70 a tonelada na quarta-feira, segundo o Mysteel.com, alta de 4,5 por cento no ano. Em contrapartida, o minério de 62 por cento, usado como referência, acumula queda em 2018 e no último trimestre se manteve em uma faixa estreita na casa dos US$ 60. O último valor foi de US$ 63,85 a tonelada, quase US$ 28 menos que o minério de maior qualidade.

"O preço do minério de ferro de referência tem se mantido notavelmente estável. Mas muita coisa está acontecendo sob a superfície", afirmou o Goldman, fazendo referência ao aumento dos diferenciais, incluindo a diferença recorde entre o minério de alta qualidade e o material com 62 por cento de teor ferroso. "Essa oscilação se justifica pelas margens fortes do aço ou foi além da conta?"

A gigante de mineração Vale vem reforçando a oferta global em meio à expansão, especialmente com material de alta qualidade da mina S11D. Nesse contexto, o presidente Fabio Schvartsman prometeu atuar como swing producer, disposto a combater qualquer rali considerado excessivo aumentando ainda mais a produção.

A projeção do Goldman para redução do diferencial está em sintonia com uma previsão do Morgan Stanley, que afirma que o prêmio do minério de alta qualidade está "começando a parecer exagerado". As siderúrgicas chinesas podem estar pagando mais por minério de qualidade do que o valor do benefício da produtividade, afirmou o Morgan Stanley em nota recente.