PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Intel tem chance de aumentar diversidade - no cargo de CEO

Ian King

25/07/2018 12h18

(Bloomberg) -- O ex-CEO da Intel, Brian Krzanich, costumava dizer que seu empenho para reduzir o predomínio masculino na força de trabalho da fabricante de chips era motivado pelo desejo de construir uma indústria de tecnologia melhor para suas filhas trabalharem algum dia.

Seu poder de expandir diretamente as oportunidades para as mulheres na Intel terminou quando ele foi forçado a renunciar, em junho, devido a um relacionamento extraconjugal no trabalho. Mas, enquanto a diretoria da Intel procura um substituto, a empresa tem a chance de intensificar o empenho dele. A segunda maior fabricante de semicondutores do mundo está buscando um novo líder em um momento em que há pelo menos três candidatas cujos currículos provavelmente as colocariam na lista, independentemente do gênero.

As ex-executivas da Intel, Renée James e Diane Bryant, e a CEO da Advanced Micro Devices, Lisa Su, são as três mulheres mais bem-sucedidas dos 50 anos de história da indústria de chips.

"Por seus próprios méritos, essas três pessoas são candidatas incríveis", disse Deborah Conrad, ex-diretora de marketing da Intel que trabalhou com James e Bryant durante seus 27 anos de carreira na companhia. "Elas realmente se destacam."

Krzanich, que muitas vezes falou publicamente sobre a necessidade de contratar mais mulheres e grupos subrepresentados, também fez jus a suas palavras com o dinheiro da Intel. Ele criou um fundo de US$ 300 milhões para a diversidade e começou a vincular o salário dos executivos a um progresso maior nessa área. No entanto, uma das ironias do mandato de Krzanich foi que as duas executivas de nível mais alto da empresa, James e Bryant, saíram enquanto ele estava no comando. As duas tinham passado toda a vida profissional na Intel, tendo ingressado na empresa logo depois de terminar a universidade, em meados da década de 1980.

Bryant, James e Su não quiseram fazer comentários sobre seu interesse no cargo de CEO da Intel, e a companhia com sede em Santa Clara, na Califórnia, não comentou o processo de busca.

Embora o número de mulheres que poderiam ser consideradas para o cargo seja maior que nunca, analistas e recrutadores dizem que é improvável que a mais emblemática empresa de chips do Vale do Silício escolha uma CEO, seguindo o exemplo dos setores automotivo e aeroespacial - onde, respectivamente, Mary Barra se tornou a primeira mulher a comandar a General Motors e Marillyn Hewson dirige a Lockheed Martin.

"Provavelmente dirão que vão considerar mulheres e pessoas de cor", disse Neil Sims, sócio administrativo da firma de recrutamento corporativo Boyden. "Mas, no fim das contas, para mim é difícil imaginar alguém que não seja um homem branco no cargo."

O cinismo de Sims, ecoado por outros no setor, se baseia nos números. A Intel, que divulga informações sobre as características demográficas de seus funcionários há mais de uma década, afirma que está progredindo na criação de uma força de trabalho mais representativa da população geral. Mas esse progresso tem sido lento.

Mais de 80 por cento dos gerentes seniores da Intel são homens, e 61 por cento deles são brancos. A proporção de mulheres na força de trabalho global da Intel subiu de 24,7 por cento em 2015 para 26,5 por cento no ano passado. Embora pareça escasso, o progresso se compara a uma média de apenas 19 por cento no setor de semicondutores dos EUA, segundo dados compilados pela Bloomberg.