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Cingapura expõe conselhos sem mulheres para melhorar equilíbrio

Livia Yap

31/07/2018 14h39

(Bloomberg) -- Cingapura está atrás da maioria dos centros financeiros no tocante à diversidade de gênero nos conselhos corporativos, a tal ponto que um grupo apoiado pelo governo começou a anunciar quais são as empresas que não têm mulheres na direção.

A estratégia está funcionando. Dois anos atrás, depois de descobrir que 38 das 100 maiores empresas de Cingapura tinham conselhos integralmente masculinos, o Comitê de Ação para Diversidade (DAC, na sigla em inglês) criou um ranking bianual de empresas muito divulgado baseado na representação de gênero. O resultado é que o número de corporações sem mulheres nos conselhos caiu para 27 no fim de junho.

Enquanto isso, a porcentagem de assentos em conselhos ocupados por mulheres nas 100 maiores empresas de Cingapura subiu de 9,5 por cento em dezembro de 2015 para 14,7 por cento, informou o comitê nesta terça-feira.

O objetivo não é apenas apontar o dedo e envergonhar. A lista -- que detalha quantas mulheres tem cada empresa no conselho, quem são e qual a porcentagem de representação feminina -- destaca também as empresas de melhor desempenho no tocante a gênero.

As empresas de Cingapura estão correndo atrás do prejuízo em meio à campanha internacional por diversidade que tem feito gigantes de fundos de investimento como BlackRock e State Street pressionarem empresas a adotar uma maior representação feminina. O país insular ainda está atrás de Reino Unido, Austrália, Alemanha, Malásia e Índia em participação feminina nos conselhos de administração, mas à frente de Hong Kong e Japão, segundo estudo do DAC.

Levar à ação

"Nada como uma boa tabela de classificação divulgada com regularidade para levar as pessoas à ação", disse Diaan-Yi Lin, sócia sênior da McKinsey, por e-mail. O produto interno bruto anual coletivo da região Ásia-Pacífico poderia aumentar 12 por cento, ou US$ 4,5 trilhões, até 2025 se os países trabalharem para promover a igualdade de gênero, disse ela em relatório de abril.

A lista, que é baseada em informações abertas ao público, é apenas uma das muitas medidas adotadas pelo DAC para confrontar a disparidade entre gêneros nos conselhos, informou o comitê, acrescentando que não é possível identificar os motivos exatos para a melhora nos números.

Em 2016, o DAC sugeriu ao órgão regulador de Cingapura que o código de governança corporativa exigisse que as empresas divulgassem as políticas de diversidade no conselho. Em 2017, propôs estabelecer um limite de mandato para que os conselheiros independentes criassem impulso para a mudança. O código atualmente está sendo revisado pela Autoridade Monetária de Cingapura.

Para o CEO do DBS Group Holdings, Piyush Gupta, é preciso adotar medidas mais drásticas. O maior banco do Sudeste Asiático tem duas mulheres em seu conselho, formado por 10 integrantes.

"As cotas de gênero são controversas e podem gerar polarização", disse Gupta, por e-mail. "Se o ritmo de mudança para ter uma maior representação feminina nos conselhos continuar glacial, então as cotas deverão ser seriamente consideradas."