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Conselhos de empresas perdem medo de anunciar demissão de CEO

Jeff Green

31/07/2018 12h15

(Bloomberg) -- Se a história recente for usada como parâmetro, Leslie Moonves não terá que esperar muito para saber se ainda tem futuro na CBS.

Os conselhos estão agindo mais rapidamente do que nunca para demitir executivos acusados de conduta imprópria e estão mais propensos a serem claros a respeito dos motivos, de acordo com dois novos estudos. O conselho da CBS se reuniu na segunda-feira e, por enquanto, diretores independentes expressaram apoio ao CEO de 68 anos acusado de assédio sexual por seis mulheres em reportagem publicada na revista The New Yorker.

Na reportagem, Moonves reconheceu ter feito avanços indesejados décadas atrás, mas disse que nunca usou o cargo para prejudicar a carreira de ninguém. Ele se soma a pelo menos 468 executivos e funcionários de destaque acusados de assédio ou de outras irregularidades nos últimos 18 meses, segundo contagem atualizada diariamente pela consultoria de crise Temin & Co.

O tempo entre a primeira denúncia pública dos supostos delitos cometidos por um executivo e o anúncio da empresa sobre sua subsequente demissão caiu para pouco mais de duas semanas em média neste ano, contra seis semanas no ano passado, segundo Temin. A consultoria disse que analisou a demissão de 240 pessoas e que a diferença diminuiu a cada mês neste ano.

"Os conselhos estão traçando limites mais rígidos entre o comportamento que é aceitável e o que não é, agindo a respeito e tornando-o mais público", disse Bryan Tayan, pesquisador da Corporate Governance Research Initiative da Escola de Pós-Graduação em Negócios da Universidade de Stanford.

Os exemplos atuais, disse ele, estão muito ligados à conduta sexual imprópria e à "cultura do ambiente de trabalho corporativo" e relacionados ao movimento #MeToo, desencadeado por acusações de agressão sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein. Outros tipos de conduta imprópria, como a má gestão financeira ou o desempenho corporativo, não parecem apresentar aumentos similares.

Além disso, as empresas são mais ousadas ao informar o motivo da saída do CEO. Dos executivos que deixaram empresas do Russell 3000 neste ano, oito foram demitidos com uma referência específica a conduta imprópria, contra um em 2017, segundo análise separada do Exechange.com, um grupo que monitora saídas de CEOs.

No caso de Moonves, o conselho da CBS discutiria a respeito em reunião regular agendada para segunda-feira, de acordo com pessoas a par dos planos da empresa.

Os diretores independentes da CBS já afirmaram que planejam investigar as acusações levantadas na reportagem, por isso é possível que não haja nenhuma solução para o problema por algum tempo.

Segundo Michael Adams, professor da Universidade de Indiana que leciona linguagem de gestão, a clareza cada vez maior das empresas ao anunciar saídas de executivos representa uma enorme mudança na cultura corporativa.

"O fato de as pessoas de repente estarem sendo honestas é algo inesperado", disse Adams.