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Para alguns sortudos, luxo está muito mais barato na Turquia

Compradores fazem fila do lado de fora de uma loja da Louis Vuitton na Turquia - Yasin Akgul/AFP
Compradores fazem fila do lado de fora de uma loja da Louis Vuitton na Turquia Imagem: Yasin Akgul/AFP

Constantine Courcoulas

13/08/2018 12h52

(Bloomberg) -- Como todos sabem, em cada transação há dois lados. Enquanto mais de 80 milhões de turcos estão significativamente mais pobres depois que sua moeda despencou, os estrangeiros atrás das cordas de veludo no Istinye Park Mall, em Istambul, saíram ganhando.

Eles estavam fazendo fila para gastar em algumas das lojas mais caras do mundo --como Louis Vuitton, Chanel e Hermès-- no sofisticado complexo de compras ao ar livre, sob o céu azul. De repente, as mercadorias oferecidas ficaram muito mais baratas para os poucos afortunados com moeda estrangeira para gastar.

"A Turquia é hoje o lugar mais barato do mundo para comprar", disse Orhan, 22 anos, que não quis informar o sobrenome e estava guardando lugar na fila do lado de fora da Louis Vuitton para um casal chinês que estava comprando em outro lugar.

No fim da rua, na Chanel, o prêmio por meia hora de espera do lado de fora das portas de vidro fechadas poderia ser uma "Classic Chanel Camera Case Bag": com preço de 18.500 liras, a bolsa de couro estava sendo vendida pelo equivalente a US$ 2.877, um desconto de quase 25% em relação aos US$ 3.700 que custa em um website europeu da Chanel.

Dentro das lojas, os clientes perguntavam os preços com iPhones à mão para convertê-los em euros e dólares segundo a última taxa de câmbio.

Tem sido difícil acompanhar: nas últimas três semanas, a lira caiu 27% em relação ao dólar --21% desse recuo apenas na semana passada. Às 9h45 desta segunda-feira (13), a moeda havia registrado mais 5,3% de declínio, para 6,7935 liras por dólar.

Praticamente todos os que faziam fila do lado de fora eram visitantes árabes e asiáticos, além de um punhado de europeus. Não havia compradores turcos à vista.

"Ganhamos em dólares e compramos em liras turcas", disse Carson, 35, um chinês que trabalha na área de telecomunicações em Istambul. Ele preferiu não informar o nome completo ao conversar com um jornalista do lado de fora da Louis Vuitton. "Para as empresas, a longo prazo, isso não é bom, para a população local isso não é bom. Eles sofrem com a moeda."

Mas havia um ponto positivo, talvez. "Normalmente as pessoas também compram algo para os amigos", disse.