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Atletas universitários pedem fim de limite à remuneração nos EUA

Pamela Maclean e Eben Novy-Williams

04/09/2018 14h28

(Bloomberg) -- Os atletas universitários estão indo à Justiça federal nos EUA em uma nova tentativa de modificar as regras da NCAA que os impedem de participar de uma economia multibilionária.

Um julgamento de duas semanas com início nesta terça-feira pode alterar os fundamentos dos esportes universitários no país ao permitir que instituições de ensino e conferências ricas disputem atletas valiosos oferecendo remuneração em dinheiro ou outros benefícios ligados à academia.

Para os atletas e seus advogados, trata-se de uma fatia merecida há tempos dos bilhões que treinadores, universidades e departamentos de atletas recebem com seus desempenhos. Para a Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA, na sigla em inglês), trata-se de uma ameaça a um modelo amador que, segundo a organização, é vital para atrair fãs e garantir a incorporação dos atletas à vida acadêmica.

Os dois lados se enfrentam diante da mesma juíza de Oakland, na Califórnia, que quatro anos atrás ficou do lado dos atletas ao decidir que as regras da NCAA que limitam as remunerações são anticompetitivas. Mas desta vez há mais elementos em jogo.

"A importância disso é enorme", disse Jim Livengood, que trabalhou durante 28 anos como diretor esportivo da Divisão I. "Este pode ser aquele tipo de momento que, daqui a 10 anos, lembraremos e diremos 'foi aí que tudo mudou'."

O julgamento de 10 dias se concentrará em uma questão básica: a NCAA viola a legislação antitruste ao limitar o que as universidades podem oferecer aos atletas que jogam futebol e basquete na Divisão I? No momento, o limite é uma bolsa de estudos integral.

A NCAA encara a norma como uma forma de tratar os atletas tanto quanto possível como estudantes normais. Os jogadores que entraram com ação afirmam que deveriam receber tratamento diferente por serem parte fundamental de um mercado lucrativo. Só em dinheiro com TV, o contrato do torneio de basquete masculino da NCAA vale US$ 8,8 bilhões e o contrato das eliminatórias universitárias de futebol americano é de US$ 7,3 bilhões.

No processo de 2014, liderado por Ed O'Bannon, ex-estrela do basquete da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, os atletas reivindicaram o direito de lucrar com seus nomes e imagens quando, por exemplo, eram retratados em jogos de videogame. A juíza distrital dos EUA Claudia Wilken concluiu que as regras da NCAA prejudicavam os atletas financeiramente, mas ela não chegou a autorizar um mercado completamente aberto para o licenciamento dos atletas.

Quando saiu a decisão de Wilken, os departamentos esportivos de primeiro escalão já haviam começado a oferecer bolsas de estudo para cobrir o custo total do curso da maioria dos atletas, ou até de todos eles.

No processo atual, os estudantes-atletas tentam remover completamente a supervisão financeira da NCAA, o que permitiria que as universidades competissem pelos melhores jogadores com uma série de incentivos.

Repórteres da matéria original: Pamela Maclean em San Francisco, pmaclean2@bloomberg.net;Eben Novy-Williams em N York, enovywilliam@bloomberg.net

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