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Baterias da Tesla com menos cobalto oferecem vantagem de custo

Anthony Palazzo

04/09/2018 11h49

(Bloomberg) -- A liderança tecnológica na produção de baterias oferece à Tesla uma vantagem de custo que pode durar vários anos e ajudar a fabricante de carros elétricos dos EUA a fazer frente à investida de novas concorrentes, segundo uma nova pesquisa da Bloomberg New Energy Finance.

As baterias produzidas pela fabricante americana e por sua parceira japonesa, a Panasonic, precisam de menos cobalto, o metal cujo preço disparou com a demanda por carros elétricos. O CEO Elon Musk disse em 5 de junho que a Tesla mira um preço em nível de célula de US$ 100 por quilowatt-hora em 2018 e custos abaixo desse nível para as baterias em dois anos. A BNEF não acredita que os preços médios das baterias estarão abaixo de US$ 100 antes de 2025.

"Se a Tesla atingir a marca em relação ao preço do conjunto de baterias, estará vários anos à frente da referência do nosso setor", informou a BNEF no relatório. Os pesquisadores observaram que outras empresas produziram baterias por apenas US$ 120 por quilowatt/hora em 2017, "o que sugere que a Tesla não é a única que está à frente da curva".

A Tesla não tem conseguido estender o domínio que tem nos EUA no ramo de carros elétricos para outras regiões e atualmente é ameaçada por novos modelos a serem lançados por marcas europeias como Volkswagen, Daimler, Volvo Cars e BMW. A competição será mais difícil no segmento SUV e crossover, no qual o Model X enfrenta novos modelos como o I-Pace, da Jaguar Land Rover, o E-Tron, a ser lançado pela Audi, e o Hyundai Kona, previsto para 2019.

A Mercedes-Benz, pertencente à Daimler, revela o crossover EQC nesta terça-feira em Estocolmo como parte do plano de investimento de pelo menos 10 bilhões de euros (US$ 11,6 bilhões) para desenvolvimento de uma série de veículos elétricos.

Com a expansão das alternativas do consumidor, a competição se concentrará não apenas na disponibilidade de carros elétricos, "mas em questões mais prosaicas, como preço, qualidade de fabricação, serviços pós-venda e experiência do usuário", diz o relatório. "Se a Tesla quiser manter sua liderança inicial no setor de veículos elétricos, pode ter algum terreno para recuperar o atraso nessas áreas em relação às fabricantes de veículos consolidadas."

Em contrapartida, a Tesla e a chinesa BYD são as únicas duas fabricantes de carros elétricos integradas verticalmente, "o que pode conferir uma vantagem a longo prazo se a tecnologia das baterias se transformar em um grande diferencial", diz o relatório.

A BYD é líder global em vendas de carros elétricos, com 9,9 por cento do mercado, segundo a BNEF. A Tesla vem logo atrás, com 9,7 por cento.

Em outras áreas, os resultados são conflitantes. A Tesla está melhorando a produção do Model 3 e seus produtos continuarão se destacando até 2020, afirma a BNEF. A empresa precisará de investimentos significativos na China e para desenvolver um caminhão, o Model Y e uma picape, afirma o relatório.

Enquanto isso, os atrasos da atualização do recurso Autopilot e a falta de serviços de mobilidade deixam a empresa para trás em relação a outras fabricantes, afirma o relatório. O negócio Solar City, adquirido por US$ 2,1 bilhões, não correspondeu às expectativas.

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