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EUA não ajudam Facebook a combater influência eleitoral: Fontes

Sarah Frier e Alyza Sebenius

04/09/2018 14h04

(Bloomberg) -- Quando Sheryl Sandberg, do Facebook, e Jack Dorsey, do Twitter, prestarem depoimento diante do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA nesta semana, eles enfrentarão algumas perguntas penosas sobre como as empresas estão se preparando para as próximas eleições desse país.

Os executivos pretendem demonstrar total dedicação para evitar interferências semelhantes às que ocorreram em 2016, quando intrusos russos usaram as plataformas das redes sociais para tentar influenciar os votos americanos. Mas, nos bastidores, há uma delicada briga sobre quem é responsável por garantir que outra eleição não seja comprometida. As empresas de tecnologia enfrentaram obstáculos em seus esforços para conseguir que as agências federais forneçam os tipos de assistência que só podem vir de autoridades que têm acesso a informações confidenciais de segurança nacional, segundo pessoas a par do assunto. O governo deixou claro que as empresas precisam se empenhar mais para impedir ataques de hackers e influências indevidas.

As agências federais têm hesitado em compartilhar dicas confidenciais que poderiam identificar ou impedir o próximo ataque em escala russa por causa de preocupações com a segurança, segundo as pessoas, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre o assunto. A comunidade de inteligência supõe que as empresas já sabem o que procurar, disseram as pessoas. Nas ocasiões em que as empresas pedem ajuda, elas às vezes não sabem quem procurar, porque não há uma única pessoa ou entidade responsável. Em maio, a Casa Branca eliminou o cargo de coordenador de segurança cibernética. No final de agosto, uma autoridade de segurança do Facebook convidou representantes de outras empresas de tecnologia, incluindo Google, que pertence à Alphabet, Microsoft e Amazon, para uma reunião na sede do Twitter em São Francisco, a fim de compartilhar estratégias e dicas para detectar problemas antes das eleições parlamentares. Ninguém do governo foi convidado, disse uma das pessoas.

Garrett Marquis, um porta-voz da Segurança Nacional, disse que a equipe do Conselho de Segurança Nacional está coordenando a abordagem do governo federal. "O presidente deixou claro que seu governo não vai tolerar interferência estrangeira em nossas eleições por parte de qualquer Estado-nação ou de qualquer outro agente malicioso", disse ele.

O Facebook acaba de divulgar uma série de atualizações, ferramentas e regras que, segundo a rede social, ajudarão a evitar ataques de contas falsas. Mas a empresa está limitada no que pode conseguir, já que o Facebook não consegue ver o que acontece no mundo real e não sabe o suficiente para adivinhar as motivações ou a intenção das potências estrangeiras, disse Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, em uma conferência recente com jornalistas. "Não temos todas as ferramentas de investigação e de inteligência que os governos têm", disse ele.

Faltando menos de 10 semanas para as eleições parlamentares dos EUA, esse jogo político de batata quente - em que nem as empresas nem o governo querem segurar a responsabilidade - está levando à desconfortável conclusão de que ninguém compreende o panorama completo.

Alex Stamos, que era chefe de segurança do Facebook, deixou a empresa para ensinar segurança cibernética na Universidade de Stanford. Na semana passada, ele publicou um post em um blog alertando que já era tarde demais para os EUA protegerem as eleições de 2018. Ele argumentou que, embora o governo não hesite em culpar as empresas de tecnologia por não conseguirem ver as ameaças, o próprio governo é tão - ou mais - culpado.

"Embora os americanos provavelmente já estejam acostumados com um impasse crônico no Congresso, eles deveriam se sentir alarmados e desamparados, porque os representantes que eles elegeram não aprovaram nenhuma legislação para tratar das questões fundamentais que foram expostas em 2016", escreveu ele.

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