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Na Ásia, family offices querem clientes dos fundos de hedge

Klaus Wille

04/09/2018 13h57

(Bloomberg) -- Eles já levaram os profissionais, tirando gente de firmas como Millennium Management. Agora, os family offices da Ásia também querem os clientes dos fundos de hedge.

Um exemplo é a Tolaram Group, que administra um family office de US$ 500 milhões em Cingapura. Após contratar gestores de Millennium e Goldman Sachs Group para cuidar de US$ 100 milhões em dinheiro próprio, a Tolaram planeja converter a carteira em fundo de hedge e aceitar dinheiro de fora a partir do ano que vem. É a primeira aventura em gestão de recursos para uma família que fez fortuna em tecidos, bens de consumo e outros ramos não financeiros.

Não contentes em cortar custos ao administrar internamente o patrimônio, clãs riquíssimos agora querem transformar seus family offices em geradores de receita, convencendo os apenas bem de vida a investir com eles. Para os céticos, conflitos de interesse e histórico limitado podem desanimar investidores externos, mas a tendência ressalta a sofisticação dos family offices da Ásia e pode ameaçar gestoras de recursos na região que mais cria milionários no mundo.

Pelo menos oito escritórios que administram fortunas de uma ou mais famílias na Ásia lançaram ou planejam lançar fundos de investimento que aceitam dinheiro de fora. Entre eles estão AJ Capital (seu fundo multimercados vai estar disponível a investidores externos a partir de março) e Kamet Capital Partners (que está montando um fundo de US$ 182 milhões para aplicar em ativos líquidos). Golden Equator Capital, JM Enigma e Golden Horse Fund Management também preparam suas ofertas.

Esses empreendimentos dão vida nova a uma ideia que vingou nos EUA e Europa. A Ásia é agora o campo de batalha mais importante para as gestoras de recursos do planeta. A região tem mais gente rica do que qualquer outra. O número de novos milionários aumentou 12 por cento no ano passado, segundo dados compilados pela Capgemini. Em 2016, dia sim, dia não, alguém ficava bilionário na Ásia segundo o UBS/PwC Billionaires Report.

Os family offices estão mais presentes na Ásia. Cada um funciona de um jeito, mas geralmente empregam pessoas que já trabalharam em bancos de investimento, traders de fundos de hedge e analistas de private equity, que supervisionam aplicações em mercados públicos e privados. Se bem geridos, proporcionam às famílias mais controle sobre seus ativos e custam menos do que colocar dinheiro nas mãos de fundos de hedge e bancos privados.

Famílias empreendedoras

Family offices enxergam diversas vantagens quando tomam dinheiro de fora. As comissões ajudam a diluir o custo de contratar profissionais experientes. Por exemplo, na Tolaram, a folha de pagamentos agora inclui Ankit Khandelwal (ex-Millennium), Lee Kim Leng (ex-Goldman) e Liew Han Piow (que comandava a mesa de derivativos de ações do United Overseas Bank). Outros family offices da Ásia recentemente tiraram talentos do Deutsche Bank e do fundo soberano de Cingapura (GIC Pte).

Investidores externos também podem impor aos family offices maior disciplina e profissionalismo, o que é especialmente importante quando fundadores mais velhos passam as rédeas para a próxima geração.

'Grande ceticismo'

"Vejo esse desdobramento com grande ceticismo", disse Claudia Zeisberger, professora de empreendedorismo e empreendimento familiar da Insead, em Cingapura. "Os family offices asiáticos ainda precisam evoluir muito até atingir o nível de institucionalização que proporciona a estrutura de governança, o arcabouço de gestão de risco e o nível de sofisticação certos antes que possam começar a pensar em transformar o family office em negócio."

--Com a colaboração de Chanyaporn Chanjaroen.

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