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Para executivo da Cargill, China pode precisar da soja dos EUA

Andy Hoffman

04/09/2018 14h36

(Bloomberg) -- A China ainda pode precisar comprar soja dos EUA neste ano, apesar de ter aplicado uma tarifa de 25 por cento às importações em resposta à escalada da guerra comercial com o governo Trump, disse o principal executivo da Cargill na Suíça.

G. J. Van den Akker, presidente e CEO da unidade suíça da Cargill International, disse que a China terá um déficit de 5 milhões a 10 milhões de toneladas de soja neste ano, mesmo depois de receber importações do Brasil e de outros produtores. A Cargill, que é a maior empresa de capital fechado dos EUA, afirmou que a China importou cerca de 36 milhões de toneladas de soja dos EUA no ano passado.

"Acreditamos que a China ainda precisará importar algo de soja dos EUA", disse Van den Akker, em um discurso à Câmara de Comércio Suíço-Americana, em Genebra, nesta terça-feira.

A previsão ressalta possíveis consequências negativas não intencionais e de longo prazo da guerra comercial entre EUA e China. O chefe da unidade suíça da Cargill disse que, se a disputa não for resolvida rapidamente, a China provavelmente investirá na produção de soja da América do Sul e da África para reduzir sua dependência em relação aos EUA. Isso prejudicará os produtores americanos, forçando-os a mudar de cultura, o que pode gerar excedentes de milho e trigo, disse. Outra possível consequência é um desmatamento maior na América do Sul.

Pagar a conta

Os EUA são o maior produtor mundial de soja. A China comprou mais de US$ 12 bilhões em soja americana no ano passado, segundo estatísticas do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda, na sigla em inglês). O Usda estima que a China importará 95 milhões de toneladas de soja no ano-safra 2018/2019.

"O produtor dos EUA pagará a conta", disse Van den Akker.

A China poderia, em tese, usar canola do Canadá ou óleo e farelo de girassol da Ucrânia para compensar a falta de soja americana.

"Vamos ver como eles resolvem isso", disse Van den Akker. "A China está acostumada às dificuldades, e esta questão é bastante política. Se existe um país preparado para isso e para enfrentar uma dificuldade, este país pode ser a China."

A tarifa comercial retaliatória de 25 por cento aplicada pela China à soja dos EUA pode limitar os preços e obrigar os produtores a reduzir o plantio para a faixa de 32 milhões a 35 milhões de hectares, contra 36 milhões em 2017, disseram analistas do Rabobank International, em relatório, no mês passado. Isso pode significar uma queda na produção de até 7 por cento nos próximos quatro anos, presumindo que haja condições climáticas normais, disseram analistas do Rabobank.

Os executivos da Cargill -- uma das quatro maiores traders de commodities agrícolas, conhecidas pela sigla ABCD -- têm criticado publicamente o aumento das políticas protecionistas e anticomerciais adotadas pelos EUA e por outros países. Os demais membros do grupo ABCD são a Archer-Daniels-Midland, a Bunge e a Louis Dreyfus.

--Com a colaboração de Mario Parker e Javier Blas.

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