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Rivais temem plano da De Beers para diamante artificial barato

Elizabeth Burden e Thomas Biesheuvel

04/09/2018 12h02Atualizada em 04/09/2018 12h38

(Bloomberg) -- A De Beers nem abriu sua primeira loja de diamantes sintéticos, mas sua iminente entrada no mercado de gemas artificiais já sacudiu o setor.

A unidade da Anglo American anunciou há três meses que planeja vender diamantes produzidos em laboratório a uma pequena fração do preço atual, praticando valores inferiores aos de rivais como Chatham Created Gems e Diamond Foundry. O anúncio já reduziu o preço das gemas artificiais, o que contribuiu para o objetivo da De Beers de aumentar a diferença paga pelos diamantes extraídos pela empresa de minas em Botsuana, na Namíbia, na África do Sul e no Canadá.

A De Beers vai mirar consumidores mais jovens com seus diamantes de laboratório, vendidos com a marca Lightbox por cerca de US$ 800 o quilate. O valor representa um quinto do preço das pedras artificiais atuais e um décimo do custo da compra de uma gema natural semelhante.

Apesar de a De Beers afirmar que sua estratégia acabará com a confusão dos clientes em relação aos diamantes artificiais e naturais, algumas produtoras estão reclamando. O setor de pedras de laboratório apresentou queixa à Comissão Federal de Comércio dos EUA, acusando a De Beers de dumping e de praticar preços predatórios.

"A De Beers não é burra", disse o CEO da Chatham, Tom Chatham, que apresentou a queixa. "Eles sabem produzir diamantes, mas esse equipamento não é barato. Eles estão vendendo abaixo do custo."

O CEO da De Beers, Bruce Cleaver, disse esperar que as gemas produzidas em laboratório sejam rentáveis e acrescentou que elas não representarão um grande negócio para a empresa.

Mesmas características

Os diamantes produzidos em laboratório têm as mesmas características físicas e composição química das pedras extraídas de minas. Eles são feitos de uma semente de carbono colocada em uma câmara de micro-ondas e superaquecidos até se transformar em uma bola de plasma brilhante. O processo cria partículas que se cristalizam em diamantes em questão de semanas. A tecnologia é tão avançada que os especialistas precisam de uma máquina para diferenciar as gemas sintéticas das naturais.

Apesar de nunca ter vendido diamantes artificiais para joias, a De Beers é boa na produção deles. A Element Six, uma unidade da empresa, é uma das principais produtoras mundiais de diamantes sintéticos, que são usados principalmente para fins industriais. Além disso, produz pedras com qualidade para joias há anos para ajudar a empresa a diferenciar os tipos naturais e artificiais.

Até o momento a estratégia da De Beers parece estar funcionando. A diferença obtida pelos diamantes naturais cresceu desde o anúncio da empresa, em maio, sendo que as pedras de 1 quilate e de meio quilate que a empresa produzirá estão sofrendo os maiores declínios de preço, segundo a empresa de análises do setor Paul Zimnisky. A diferença em relação a uma pedra artificial de meio quilate disparou de 24 por cento para 38 por cento, mostram dados da Zimnisky.

A jogada representa riscos também para a De Beers. Ao oferecer diamantes produzidos em laboratório com tanto desconto, a empresa pode corroer a demanda por produtos de menor qualidade do setor, que são vendidos por menos de US$ 200 por empresas de varejo como o Walmart. A queda de cinco anos dos preços desse tipo de diamante -- que responde por cerca de 80 por cento da oferta, mas por apenas 20 por cento dos lucros -- se mantém desde o anúncio.

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