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China vai ao extremo leste da Rússia atrás de oferta agrícola

Bloomberg News

05/09/2018 12h59

(Bloomberg) -- A JBA Holdings, uma joint venture de empresas como Heilongjiang Agriculture e Joyvio Group, investirá US$ 100 milhões ao longo de três anos na construção de uma unidade de esmagamento de soja e de um terminal portuário para grãos na Rússia em meio a um esforço de empresas chinesas para diversificar as fontes de abastecimento.

A joint venture também arrendará 100.000 hectares de terras agrícolas na Rússia para o cultivo de trigo, milho e soja, disse Ren Jianchao, presidente do conselho da JBA, em entrevista, em Harbin, na China, na terça-feira. O extremo leste da Rússia compreende uma vasta região com terras agrícolas e faz fronteira com a China, o que, juntamente com os baixos impostos locais, deverá reduzir os custos do plantio, disse Ren. Além disso, a JBA construirá um armazém e um terminal portuário para grãos em Zarubino, na Rússia, com capacidade para 3 milhões de toneladas de grãos por ano, disse Ren.

A China busca estimular o crescimento e criar novos mercados por meio da iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, apoiada por centenas de bilhões de dólares em projetos de infraestrutura. O país asiático já está construindo um novo porto na região nordeste do país que criará rotas marítimas para grãos colhidos por empresas chinesas na Rússia. A China também busca diversificar as importações de produtos agrícolas depois que a escalada da disputa comercial com os EUA desencadeou a aplicação de tarifas pesadas às aquisições da soja americana, gerando preocupações a respeito de uma iminente escassez.

O extremo leste da Rússia não possui instalações logísticas eficientes e a construção delas deve incentivar os agricultores a aumentar a produção de grãos na região, segundo Ren. Atualmente, apenas algumas pequenas empresas chinesas cultivam na região e podem exportar 500.000 a 800.000 toneladas de soja para a China a cada ano. A instalação da JBA transformará 2.000 toneladas de soja por dia em farelo e óleo, sendo que o óleo será exportado para a China, disse.

Sem modificações genéticas, o óleo de soja russo é vendido com ágio em relação aos óleos comestíveis locais da China, disse Savenkov Dmitrii, consultor da JBA. O milho e o trigo russos também têm valores superiores aos grãos chineses, e o farelo de soja não transgênico conta com a preferência de alguns países da Europa, disse.

A chinesa Jiusan Oils & Grains Industries Group também é parceira da JBA.

To contact Bloomberg News staff for this story: Shuping Niu em Beijing, nshuping@bloomberg.net

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