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Agente nervoso chegou ao Reino Unido em frasco de perfume

Kitty Donaldson

06/09/2018 15h49

(Bloomberg) -- A audácia do ataque russo com armas químicas no Reino Unido pode ser entendida traçando a viagem de um pequeno - e falso - frasco de perfume 'Premier Jour', da Nina Ricci.

O frasco continha Novichok, um agente nervoso letal da era soviética, e foi contrabandeado da Rússia até o Reino Unido em um voo comum da Aeroflot. Após aterrissar no Aeroporto de Gatwick - usado por mais de 45 milhões de passageiros por ano -, ele passou pelas estações de trem London Victoria e Waterloo e por um hotel econômico no caminho até Salisbury, uma pacata cidade medieval no sul da Inglaterra.

Lá, em plena luz do dia em uma tarde de domingo, foi pulverizado na maçaneta da porta da casa de um ex-espião russo, Sergei Skripal.

A primeira-ministra Theresa May insinuou que o Reino Unido revidaria usando "todas as ferramentas de nosso aparato de segurança nacional", mas é difícil imaginar o que ela - ou qualquer potência ocidental - pode fazer para evitar esse tipo de ataque. A atitude desafiante da Rússia ressalta esse dilema.

"Pedimos reiteradamente que a Rússia explique o acontecido em Salisbury em março, e eles responderam com ofuscamento e mentiras", disse May no Parlamento na quarta-feira. Ela acrescentou, com uma risadinha nervosa, que "eles até alegaram que eu mesma inventei o Novichok".

O Reino Unido pode prejudicar indivíduos russos com restrições aos vistos e atacando fortunas pessoais ilegítimas; também pode pressionar aliados para aplicar mais sanções. No entanto, tomar medidas geopolíticas duras será mais difícil.

Por exemplo, nesta quinta-feira, o Reino Unido apresentará a questão no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um órgão decisório onde a Rússia usa regularmente seu veto quando seus interesses são ameaçados.

O Reino Unido empregou 250 detetives para investigar 11.000 horas de imagens de câmeras de segurança e tomou depoimento a mais de 1.400 testemunhas para reconstruir o acontecido. O país conhece os nomes - ou, pelo menos, os codinomes - dos dois russos que realizaram o ataque, que, segundo May, foi "quase com certeza" autorizado pelo Kremlin.

Jeans e tênis

Imagens de câmeras divulgadas pela polícia na quarta-feira mostraram Alexander Petrov e Ruslan Boshirov - um com barba, outro barbeado e abrigado da neve - entre os turistas e os moradores em Salisbury, que estava movimentada com seu mercado semanal, realizado aos sábados.

Vestidos de calça jeans, tênis e boné, eles ficaram lá algumas horas e depois voltaram à capital.

Quando repetiram a viagem no dia seguinte, a visita de duas horas teve um final muito diferente. Eles chegaram de trem em Salisbury às 11h48 de 4 de março e partiram pelo mesmo meio pouco antes das 14 horas. Por volta das 17 horas, Skripal e sua filha, Yulia, já estavam inconscientes no banco de um parque perto de um shopping em estado crítico.

Apesar de ter emitido ordens de prisão contra eles em toda a Europa, o Reino Unido afirmou que não solicitará a extradição - porque a constituição da Rússia não permite isso.

--Com a colaboração de Stephanie Baker, Thomas Penny, Timothy Ross, Robert Hutton e Gregory L. White.

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