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Gigante de caronas Grab esperar duplicar receita em 2019

Yoolim Lee, Tom Giles e Haslinda Amin

06/09/2018 11h59

(Bloomberg) -- A Grab, de Cingapura, esboçou planos ambiciosos de captação de recursos e projetou que as vendas dobrarão no próximo ano, ampliando as evidências de que a startup mais valiosa do Sudeste Asiático está se expandindo muito além de suas raízes como aplicativo de carona compartilhada, ao mesmo tempo intensificando a rivalidade com a Go-Jek, da Indonésia.

A receita dobrará para US$ 2 bilhões em 2019 com a integração da aquisição dos negócios regionais da Uber Technologies e o aprofundamento em novas áreas, desde compartilhamento de bicicletas até pagamentos digitais. A empresa está a caminho de levantar US$ 3 bilhões em financiamento até o fim do ano, disse a cofundadora Hooi Ling Tan na cúpula de tecnologia Sooner Than You Think, da Bloomberg, em Cingapura. A quantia engloba US$ 1 bilhão da Toyota Motor, o maior investimento da fabricante de veículos japonesa em carona compartilhada até o momento.

A Grab está se expandindo rapidamente pelo Sudeste Asiático, que tem mais de 600 milhões de habitantes, para se tornar a maior plataforma de transporte da região e fazer valer seu tamanho após o acordo com a Uber. O financiamento joga pressão sobre a Go-Jek, que anunciou planos de se expandir fora de seu território e de entrar em Cingapura, na Tailândia, no Vietnã e nas Filipinas. Atualmente, a empresa avalia incursões em diversos campos, como entrega de compras de supermercado e financiamento de assistência médica, disse Tan.

"Há mais campos inexplorados do que em qualquer outra região do mundo porque a tecnologia ainda não conseguiu mudar vidas de verdade no Sudeste Asiático", disse Tan. "A segunda grande área é aumentar nossa presença operacional na Indonésia."

A Grab, criada há seis anos, está avançando rapidamente para fazer frente à Go-Jek, com sede em Jacarta, capital da Indonésia, que começou como um serviço de reserva de mototáxi em 2015 e depois ingressou em mais de uma dezena de serviços ao consumidor, permitindo que os usuários paguem contas, peçam comida e comprem ingressos de cinema.

Tan disse que a Grab fará um grande esforço na Indonésia, onde a receita triplicou até esta altura do ano e a empresa detém uma participação de 65 por cento do mercado de carona compartilhada. O serviço de entrega de alimentos GrabFood, atualmente disponível em 30 cidades, será expandido para mais de 130 cidades até o fim do ano, disse Tan.

Apoiada por investidores como a japonesa SoftBank Group e a chinesa Didi Chuxing, a Grab, com sede em Cingapura, está usando seu capital para se expandir tanto geograficamente quanto em termos de negócios.

O acordo com a Uber consolidou o controle da Grab sobre o mercado de carona compartilhada da região, especialmente em seu mercado doméstico. Após a jogada, as reclamações aumentaram e os usuários se queixam dos preços, dos atrasos e das deficiências no atendimento ao cliente.

Tan disse que alguns dos problemas giram em torno da integração de sua maior aquisição na história.

"Olhando para trás as coisas sempre parecem óbvias. Para ser honesta, nós cometemos erros. Sabemos disso", disse Tan. "À medida que aprendíamos coisas, fazíamos mudanças. Temos feito e continuaremos fazendo investimentos para aprender."

--Com a colaboração de Andy Clarke, Surbhi Bahety e Haslinda Amin.

Repórteres da matéria original: Yoolim Lee em Singapore, yoolim@bloomberg.net;Tom Giles em Singapore, tgiles5@bloomberg.net;Haslinda Amin em Cingapura, hamin1@bloomberg.net

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