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Toyota aposta alto em carros híbridos, diz fabricante de bateria

Kevin Buckland e Nao Sano

06/09/2018 10h30

(Bloomberg) -- Para se ter uma ideia do tamanho da aposta da Toyota Motor de que os carros híbridos dominarão o ramo de veículos de nova energia pelo menos até o fim da próxima década, não é preciso procurar ninguém mais além de sua fornecedora de baterias.

Apesar do nome, a Primearth EV Energy não fabrica baterias para os veículos puramente elétricos que estão surgindo como novos rivais dos híbridos gasolina-elétricos, que existem há mais de duas décadas. De propriedade dividida em 80,5 por cento para a Toyota e 19,5 por cento para a Panasonic, a PEVE, como também é conhecida, fabrica apenas células para híbridos tradicionais e a maioria é da variedade mais antiga e pesada de hidreto metálico de níquel em vez de íon de lítio.

A empresa também não tem pressa para mudar de rumo e pretende tomar uma decisão no início da década de 2020 sobre se deve produzir as baterias com mais densidade energética necessárias para híbridos plug-in e veículos elétricos, disse o presidente da PEVE, Shigeki Suzuki, em entrevista. Se esperar mais do que isso, no entanto, a empresa provavelmente perderá a oportunidade, disse, ressaltando a rápida ascensão das concorrentes chinesas Contemporary Amperex Technology e BYD.

"Ainda estamos buscando recuperar o atraso em relação a essas tecnologias", disse Suzuki, que liderou o desenvolvimento de baterias de última geração na Toyota até assumir o emprego atual, em 2013, na sede da PEVE em Kosai, no Japão, na sexta-feira. "A força da Toyota está no híbrido e, no momento, a Toyota conta conosco para baterias híbridas. Temos nossas mãos ocupadas apenas mantendo essa demanda."

Foco da Toyota

O presidente da Toyota, Akio Toyoda, está colocando os híbridos em posição central da meta de vender 5,5 milhões de veículos eletrificados até 2030, metade de suas vendas totais projetadas para a época. Toyoda, que admitiu que está atrasado em relação à busca por carros totalmente elétricos, abraçados cada vez mais por fabricantes de veículos rivais e autoridades, quer que 4,5 milhões de sua meta de vendas sejam híbridos -- independentemente de ser a variedade tradicional ou as variantes plug-in. Atualmente, a PEVE tem capacidade para atender apenas em torno de um terço disso.

Para reduzir a diferença, a fabricante de baterias está se expandindo agressivamente. Até 2021, planeja ampliar a capacidade no Japão para cerca de 2,5 milhões de conjuntos de baterias por ano. Além disso, dobrará a produção na China para cerca de 210.000 baterias por ano quando uma segunda fábrica entrar em operação, em 2020.

Por enquanto, as vendas de híbridos superam as de carros totalmente elétricos porque normalmente são mais acessíveis e não geram preocupação em relação à autonomia de direção, disseram os analistas Steve Man e Kevin Kim, da Bloomberg Intelligence, em nota técnica no mês passado. As vendas de híbridos plug-in subiram 160 por cento na China no primeiro semestre e as de veículos totalmente elétricos duplicaram, segundo dados da BI.

"Os híbridos serão o principal veículo de baixa emissão da China nos próximos anos, e não os carros elétricos a bateria", disseram os analistas.

Repórteres da matéria original: Kevin Buckland em Tóquio, kbuckland1@bloomberg.net;Nao Sano em Tóquio, nsano3@bloomberg.net

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