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Argentina tenta sair do 'inferno' com nova política monetária

Ignacio Olivera Doll e Jonathan Gilbert

01/10/2018 12h21

(Bloomberg) -- A Argentina introduziu uma nova política monetária nesta segunda-feira (1º) que, segundo investidores, pode agravar a recessão até a eleição presidencial, em 2019.

As autoridades tentam conter a crise financeira e econômica por meio de grandes mudanças acertadas sob um acordo revisado com o Fundo Monetário Internacional e encabeçadas pelo novo presidente do banco central, Guido Sandleris. As reformas podem desacelerar ainda mais uma economia já em recessão e não se sabe por quanto tempo permanecerão em vigor, sendo que a eleição acontece em um ano.

"Já estamos no inferno e eles precisam encontrar a saída menos dolorosa", disse Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs Group, em Nova York. "Mas é um aperto monetário extremamente rigoroso. Isso não pode durar muito."

O banco central deu a largada no plano de reduzir significativamente a quantidade de pesos em circulação para controlar a inflação. O objetivo é fazer com que os chamados agregados monetários --que vinham crescendo a um ritmo de 2% ao mês-- não aumentem até junho de 2019.

Também nesta segunda, o banco central começa os leilões diários de notas conhecidas como Leliqs, que ajudarão a definir a taxa básica de juros. Sandleris está empenhado em manter a taxa em, no mínimo, 60%, a mais alta do mundo. A instituição anunciará quantos pesos pretende absorver para retirar o excesso de dinheiro que tende a enfraquecer a moeda. Todas as medidas visam conter os reajustes de preços.

Recessão esperada

Mesmo antes do novo plano, o governo já previa recessão neste ano e no ano que vem. Os juros elevados e a retirada de dinheiro da economia dificultam a reeleição do presidente Mauricio Macri. Alguns analistas questionam se ele conseguirá se comprometer com a contenção fiscal, que é essencial para a liberação de recursos pelo FMI.

O foco das autoridades migrou dos juros para os agregados monetários porque altas agressivas na taxa neste ano não foram capazes de segurar a depreciação cambial. O banco central pode controlar a quantidade de dinheiro na economia congelando a oferta, vendendo papéis, gastando dólares ou aumentando as exigências de capital para instituições financeiras.

Teoricamente, isso também ajudaria a ancorar o peso, que acumula queda de 55 por cento em 2018, a maior perda entre moedas de países emergentes. Além de abandonar as metas de inflação, o banco central quer parar de gastar reservas para sustentar o peso. A instituição permitirá a flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo móvel, atualmente de 34 a 44 pesos por dólar - uma zona de "não intervenção".

Muitos analistas questionam a nova abordagem para o câmbio.

"A zona de não intervenção com um pequeno limite pré-anunciado para as vendas do banco central pode ser contraproducente", afirmou em relatório a economista Pilar Tavella, do Barclays Capital, em Nova York.

Para especialistas, o problema é que, quando o banco central intervir fora desta zona, já é sabido que seu poder de fogo está limitado a US$ 150 milhões por dia. A moeda argentina recuou 3,8 por cento na sexta-feira e encerrou a semana no menor nível histórico de 41,25 pesos por dólar.

Sandleris argumenta que a desvalorização cambial na semana passada foi apenas sinal de um "período de transição". Ele afirmou que a quantia de US$ 150 milhões por dia é mais do que suficiente para defender o peso, de acordo com entrevistas a jornais locais publicadas no domingo.

--Com a colaboração de Patrick Gillespie.

(Bloomberg) -- A Argentina introduziu uma nova política monetária nesta segunda-feira (1º) que, segundo investidores, pode agravar a recessão até a eleição presidencial, em 2019.

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