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Cultura da selfie leva museus a autorizar fotografias

James Tarmy

01/10/2018 15h05

(Bloomberg) -- O comportamento em museus sempre foi sinônimo de restrição: não levantar a voz, não usar mochilas e, obviamente, não tocar nas obras de arte. No entanto, uma regra - não tirar fotografias - foi totalmente eliminada por alguns museus e está sendo reconsiderada por dezenas de outros.

Há benefícios óbvios em permitir a fotografia não comercial. Caso autorizados, todos os visitantes que tiverem uma conta no Instagram se tornam um publicitário em potencial para o museu. Mas também há desvantagens. A conservação é a maior delas: ainda não se sabe se o flash dos telefones celulares causa desbotamento e, se um visitante estiver concentrado em tirar um autorretrato, a probabilidade de esbarrar em alguma obra será maior. "Temos molduras com gesso nas bordas", diz Tom Ryley, funcionário de comunicações do Museu Sir John Soane, em Londres. "Se estiver tirando uma foto, você poderia esbarrar nelas sem querer."

Não é casual que a quantidade de literatura sobre o efeito pernicioso de misturar museus e redes sociais esteja aumentando. Muitas pessoas, segundo a crítica, fotografam obras de arte com o smartphone e depois vão embora. Elas praticamente nem olham para a obra em si.

Cultura da selfie e cultura real

Vários comentaristas notaram que isso é um subproduto da cultura da selfie; a arte efetivamente se tornou um pano de fundo para autorretratos. "Os museus", escreve o crítico Rob Horning na revista Even, "não são mais espaços para vivenciar a arte, mas sim espaços onde representar o eu vivenciando experiências artísticas".

Qualquer pessoa que tenha uma conta em uma rede social pode ver que isso é verdade: mesmo que as pessoas não estejam posando com obras de arte em museus, elas com certeza estão postando. (No início deste ano, a conta oficial do Ministério da Cultura da Rússia no Twitter publicou um tweet promovendo o "Dia da Selfie no Museu".)

E qualquer pessoa que tenha estado em um museu nos últimos anos sabe que muitos visitantes (de todas as faixas etárias e nacionalidades) parecem compelidos a interagir com as obras usando suas telas como intermediários.

"Pessoalmente, notei que as pessoas passam mais tempo tirando fotos do que olhando para as obras de arte", diz Benoit Parayre, diretor de comunicações do Centro Pompidou, em Paris. "Elas tiram uma foto e nem param na frente dos quadros para descobri-los."

A questão, então, é como os museus estão reagindo a essa tendência. Praticamente todas as instituições proíbem tirar fotos com flash, e todas proibiram os paus de selfie assim que eles foram inventados. No entanto, algumas administrações adotaram abordagens muito diferentes em relação ao fenômeno da selfie. Essa escolha, dizem os representantes dos museus, não é simplesmente uma questão de aumentar ou restringir o público. A política da fotografia se tornou um ponto de vista definidor sobre o que os museus podem, devem e irão representar para seus visitantes.

"Do ponto de vista do museu, é maravilhoso que as pessoas estejam conservando a memória de suas experiências", diz Kenneth Weine, diretor de comunicações do Museu Metropolitano de Arte de Nova York. "Como profissional de marketing, é muito importante para nós que este canal esteja disponível, porque nós do Met desejamos ser acessíveis ao maior público possível."

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