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Mizuho busca aspirantes do Google para focar na tecnologia

Gareth Allan e Yuki Hagiwara

01/10/2018 15h02

(Bloomberg) -- Um dos maiores bancos do Japão está abandonando a velha fórmula de contratação de recém-formados.

Depois de perceber que recrutava "exatamente o mesmo" tipo de pessoas todos os anos, o Mizuho Financial Group agora quer contratar mais pensadores criativos que possam ajudar a enfrentar desafios como a grande mudança tecnológica enfrentada pelos bancos, disse Shinya Uda, gerente de recursos humanos do terceiro maior banco do Japão. Isso inclui estudantes de carreiras científicas, estrangeiros e pessoas que querem trabalhar para gigantes da tecnologia como a Alphabet, proprietária do Google.

"Eu pedi que minha equipe encontrasse pessoas que não estivessem interessadas em finanças", disse Uda, em entrevista. "Era um pedido meio impossível, mas eu disse: 'encontrem alguém que esteja pensando em ir para o Google'."

Bancos internacionais como o JPMorgan Chase também buscam uma diversificação em relação aos formados em finanças para adaptar suas equipes de trabalho a um ambiente comercial que muda com velocidade. Os maiores bancos do Japão vêm eliminando agências e funcionários porque os clientes estão passando a usar o celular, e também porque as taxas de juros próximas de zero reduzem a rentabilidade, o que obriga os bancos a encontrar formas de ir além dos simples empréstimos.

"Trata-se de uma política de recrutamento alinhada com o momento", disse Nana Otsuki, analista-chefe da Monex em Tóquio. "Os bancos não poderão lucrar com negócios bancários tradicionais enquanto o juro estiver baixo. Por isso, se vão ampliar os ganhos com outros negócios, faz sentido buscar um novo tipo de profissional."

O Mizuho planeja eliminar 19.000 postos de trabalho na próxima década, e quem ficar precisará construir uma organização capaz de sobreviver a um mundo onde a tecnologia está gerando novos rivais e parceiros. O banco com sede em Tóquio nomeou recentemente um chefe de inovação digital e vem trabalhando em iniciativas como pagamentos eletrônicos e empréstimos impulsionados por IA.

"Queremos aquele tipo de gente com criatividade para nos levar por uma nova direção", disse Uda.

Assim como a maioria das grandes empresas do Japão, o Mizuho corteja estudantes universitários em um longo ritual de testes, seminários e entrevistas durante o último ano de faculdade deles. Neste ano, o banco enviou 70.000 cópias de uma brochura de recrutamento com o slogan "queremos conhecer pessoas que não são do tipo Mizuho". O banco planeja contratar cerca de 400 formados para o ano fiscal que começa em abril de 2019, contra mais de 600 há dois anos, devido às medidas do banco para reduzir sua força de trabalho.

Após três anos testando as competências dos candidatos, o Mizuho descobriu que seus recrutados tendiam a ser fortes em áreas como trabalho em equipe e resolução de problemas, mas fracos em criatividade. O banco ajustou sua abordagem em termos de marketing e entrevistas para corrigir o problema. O resultado é que mais de um terço dos candidatos para os quais o banco pretende apresentar ofertas para as contratações do ano que vem tiveram pontuações elevadas em pensamento criativo, contra cerca de um quinto nos últimos anos, disse Uda.

"Não é que não precisemos das pessoas que temos recebido, mas seria um problema se tivéssemos apenas esse tipo de gente", disse.

Repórteres da matéria original: Gareth Allan em Tóquio, gallan11@bloomberg.net;Yuki Hagiwara em Tokyo, yhagiwara1@bloomberg.net

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