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Novo imposto para estrangeiros ameaça mansões de Londres

Nishant Kumar

01/10/2018 14h31

(Bloomberg) -- As construtoras de residências de alto padrão e de luxo do Reino Unido enfrentam pressão com os preparativos da primeira-ministra Theresa May para aplicar impostos mais elevados aos estrangeiros que pretendem comprar imóveis no Reino Unido.

Os compradores estrangeiros representam cerca de metade de todas as transações relativas a residências efetuadas na região central de Londres, segundo Faisal Durrani, chefe de pesquisa da consultoria imobiliária Cluttons. A Berkeley Group Holdings, a construtora com mais exposição à capital do Reino Unido, registrou a maior queda entre seus pares no pregão desta segunda-feira em Londres.

As incorporadoras britânicas já enfrentam uma demanda fraca devido ao divórcio conturbado entre o país e a Europa, ao esfriamento do mercado imobiliário e à perspectiva de taxas de juros mais altas. O conjunto de residências em construção na capital que não foram vendidas atingiu nível recorde e as ações de construtoras como Crest Nicholson Holdings e Berkeley vêm caindo neste ano.

"O aumento dos impostos aos compradores estrangeiros transmite uma mensagem conflitante a respeito de um Reino Unido 'aberto' ao mundo após o Brexit", disse Durrani. "Teremos que rever nossas projeções para as residências com o objetivo de realizar mais reduções caso a sobretaxa residencial para estrangeiros se confirme."

Ao revelar seus planos de políticas com o início da conferência do Partido Conservador, no domingo, o governo informou que iniciará consultas para aumentar o imposto de transmissão de bens imóveis para indivíduos e empresas que não pagam impostos no Reino Unido. Os ministros estudam uma taxa de 1 por cento a 3 por cento, segundo o jornal Sunday Telegraph.

"Vamos fazer consultas a respeito de quanto, mas seria em torno de 1 por cento. Vamos consultar se esse é o nível correto", disse Brandon Lewis, presidente do Partido Conservador, no domingo, na Sky News.

A mudança provavelmente aumentará a pressão sobre o mercado imobiliário do país. O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, disse a ministros do governo no mês passado que um Brexit sem acordo poderia derrubar os preços dos imóveis em mais de 35 por cento, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

A saída iminente do Reino Unido do maior bloco comercial do mundo já está afetando os valores dos imóveis em Londres, onde os preços das casas tiveram em julho o maior declínio em quase uma década. O imóvel residencial médio na capital custa 485.000 libras, segundo o Escritório de Estatísticas Nacionais. Nacionalmente, o crescimento desacelerou e atingiu o menor ritmo desde agosto de 2013.

Em um sinal de que Londres provavelmente suportaria o peso do imposto, as construtoras britânicas focadas em negócios fora da capital tiveram quedas muito menores do que o declínio de 3,7 por cento da Berkeley. O Bloomberg U.K. HomeBuilder Index caía 2,1 por cento às 16h10. O índice recuou 15 por cento neste ano. As ações da Capital & Counties registraram pouca mudança.

"Apenas a Berkeley Group e a Telford Homes são realmente afetadas por isso. Os investidores estrangeiros representam 50 por cento dos clientes da Berkeley, por exemplo", disse Sam Cullen, analista da Berenberg em Londres. "A proposta respalda o compromisso do governo de ampliar a posse de imóveis, o que nos faz pensar que a ajuda para a compra será ampliada e que o resultado final será positivo para o setor."

--Com a colaboração de Sharon Smyth e Neil Callanan.

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