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Ex-HSBC e irmãos são acusados de ligação com tráfico em Paris

Gaspard Sebag

02/10/2018 15h09

(Bloomberg) -- Um ex-executivo bancário do HSBC em Genebra e dois irmãos dele são peças centrais de uma quadrilha que, segundo promotores, lavou dinheiro do tráfico de drogas fornecendo maços de cédulas em encontros secretos em Paris a dezenas de indivíduos ricos que buscavam gastar o dinheiro ilícito armazenado em contas no exterior.

As acusações fazem parte de um enorme processo judicial na França no qual Nessim El Maleh, ex-diretor do HSBC Private Bank Suisse, e seu irmão Meyer, que administrava a firma de gestão de patrimônio GPF, de Genebra, são julgados por diversas acusações de lavagem de dinheiro. O irmão mais velho deles, Mardoché, é acusado de distribuir 12 milhões de euros (US$ 14 milhões) de 2010 a 2012 em sacolas cheias de dinheiro aos donos das contas no exterior.

Em depoimento em Paris, na segunda-feira, Nessim atribuiu o esquema ao irmão Meyer e disse que acreditava que o dinheiro estava ligado à evasão fiscal, não a drogas.

"Não sabíamos que vinha do tráfico, achávamos que era dinheiro de fraudes fiscais", disse Nessim, 44, ao ser interrogado por juízes no tribunal penal de Paris.

A França vem fechando o cerco sobre fraudes fiscais realizadas via Suíça com a condenação de um ex-ministro e um julgamento contra o UBS programado para começar na semana que vem. O processo é um dos casos de colarinho branco de maior destaque em Paris desde o julgamento do ex-trader do Société Générale Jérôme Kerviel, que monopolizou as atenções do país há uma década.

Veículos de alta velocidade

Nessim e Meyer argumentam que as acusações deveriam ser rejeitadas segundo a doutrina do duplo risco, já que eles se declararam culpados de acusações similares na Suíça em 2013. Apesar de Meyer ter respondido a perguntas de investigadores durante a apuração, atualmente ele está na Suíça e não comparecerá ao julgamento.

A investigação francesa aos irmãos El Maleh começou em 2012 como uma apuração de rotina sobre importação de drogas na qual os investigadores seguiram o rastro de uma quadrilha que usava a técnica chamada "go-fast" para transportar centenas de quilos de maconha do Marrocos a Paris em veículos de alta velocidade. Os inspetores, então, se depararam com Mardoché, que logo os levou a um edifício Art Nouveau em Genebra onde, segundo as autoridades, a GPF de Meyer administrava cerca de US$ 800 milhões ligados à fraude fiscal.

Entregas em cafeterias

Para conseguir grandes somas de dinheiro na França, Meyer e Nessim passavam por um corretor no Marrocos, ou "saraf", chamado Simon Perez, que levava Mardoché por Paris diversas vezes por mês para realizar coletas, dizem as autoridades. Mardoché, então, fazia as entregas em cafeterias ou restaurantes.

Nessim diz que desde que foi condenado e demitido do HSBC, deixou tudo para trás e começou em um novo emprego. Ele disse ao tribunal que agora trabalha para um family office em Genebra e ganha cerca de 12.000 francos suíços (US$ 12.200) por mês. "Ofereço às pessoas um panorama da situação de seu patrimônio."

O juiz Bruno Deblois disse que o veredicto do tribunal pode ser esperado para logo depois da conclusão do julgamento, em 12 de outubro.

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