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Megabanco grande demais para falir entra na zona do euro

Niklas Magnusson, Hanna Hoikkala e Kati Pohjanpalo

02/10/2018 12h23

(Bloomberg) -- Na última segunda-feira, o número de bancos considerados grandes demais para falir na zona do euro passou de sete para oito. O recém-chegado é o Nordea Bank Abp, que vai transferir sua sede de Estocolmo para Helsinque.

O banco, cujos US$ 670 bilhões em ativos representam mais do que o dobro do produto interno bruto da Finlândia, deixou claro que a mudança foi motivada por questões regulatórias e pelo desejo de estar dentro da união bancária europeia.

"Estaremos no núcleo da Europa", disse o CEO Casper von Koskull a jornalistas, em um café da manhã recente, em Estocolmo. "Acho importante que também possamos influenciar a Europa."

Sob o comando de Von Koskull, que ocupou vários cargos importantes no Goldman Sachs antes de ingressar no Nordea, o banco vendeu ativos fora da região nórdica, inclusive em Luxemburgo, nos países bálticos e na Rússia.

Em entrevista à Bloomberg Television, na segunda-feira, Von Koskull disse que não planeja crescer por meio de aquisições na Europa.

"Dirigir um banco tendo em vista o tamanho em si não é bom sinal, pelo menos para mim", disse. "A consolidação europeia, claro, é algo que acompanhamos, mas que não está nos nossos planos por enquanto."

O Nordea está em meio a uma grande transformação em que os serviços automatizados e digitalizados estão substituindo os seres humanos. O Nordea afirma que precisa cortar cerca de 6.000 postos de trabalho como parte deste plano. Von Koskull deixou claro que pensa que o restante do setor financeiro global precisa adotar uma abordagem similar para manter a competitividade.

A chegada de um banco internacional sistemicamente importante mudará significativamente o setor financeiro da Finlândia. Os ativos da indústria financeira no membro mais ao norte da zona do euro subirão para 400 por cento de seu produto interno bruto após a mudança e o Nordea substituirá a Nokia no posto de maior empresa de capital aberto com sede na Finlândia.

O órgão regulador do setor financeiro em Helsinque precisou ampliar sua equipe em 10 por cento para se preparar para a chegada do Nordea. O órgão realizará cerca de 75 por cento do trabalho de supervisão do banco, embora a maior responsabilidade pela supervisão do Nordea continue com o Banco Central Europeu em Frankfurt.

O presidente do Banco da Finlândia, Olli Rehn, disse que a decisão do Nordea de se mudar para Helsinque "deve ser vista como um voto de confiança na união bancária da zona do euro", em entrevista à emissora finlandesa YLE TV1, no sábado. "Para a Finlândia, a união bancária da zona do euro nos dá mais resistência para enfrentar possíveis dificuldades e isso é importante" se considerarmos o tamanho do setor financeiro em comparação com a economia do país quando o Nordea chegar, disse.

A Suécia ficará com um setor financeiro consideravelmente menor e há preocupação a respeito da posição de Estocolmo como centro financeiro quando o Nordea for embora. O governo liderado pelo Partido Social-Democrata adotou uma postura linha-dura em relação aos bancos quando esteve no poder. Os partidos de oposição afirmam que isso acabou afastando do país o maior banco da região nórdica.

--Com a colaboração de Frances Schwartzkopff, Nejra Cehic e Manus Cranny.

Repórteres da matéria original: Niklas Magnusson em Estocolmo, nmagnusson1@bloomberg.net;Hanna Hoikkala em Estocolmo, hhoikkala@bloomberg.net;Kati Pohjanpalo em Helsinque, kpohjanpalo@bloomberg.net

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