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Mercado fica menos cético com definição de eleições em 1º turno

Josue Leonel e Patricia Lara

02/10/2018 16h13

(Bloomberg) -- Uma eventual vitória de Jair Bolsonaro no primeiro turno não é mais considerada impossível, na visão do mercado, embora ainda seja avaliada como improvável. Após o Ibope divulgado nesta segunda-feira, mesmo que o ceticismo do investidor predomine, a possibilidade de definição antecipada da corrida eleitoral não é descartada.

"Eu acho que é improvável. Mas obviamente não é uma probabilidade zero", diz Ilya Gofshteyn, estrategista do Standard Chartered Bank, sobre a possibilidade de Bolsonaro ser eleito já na votação do próximo domingo. Tomando-se como base o Datafolha anterior, quando Bolsonaro liderava com 28%, seriam necessários o equivalente a mais de 25 milhões de votos para o capitão da reserva antecipar a vitória. No último Ibope, contudo, o candidato do PSL avançou para 31% dos votos totais, reduzindo, ainda que marginalmente, o tamanho do desafio de ser eleito já.

Os números de Bolsonaro representam cerca de 35% dos votos válidos, o que torna "quase certo" que ele esteja no segundo turno, mas para superar os 50% e vencer no primeiro turno ainda há um bom caminho para percorrer, diz Julio César Barros, economista da Mongeral Aegon Investimentos.

Bolsonaro, para levar já no primeiro turno, precisaria de uma improvável "tempestade perfeita" de votos úteis na reta final para superar a soma de todos os rivais, diz Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice. Um dos obstáculos a esta migração forte é que a rejeição de Bolsonaro é muito alta, observa o analista.

Aragão admite que o candidato do PSL pode ser favorecido por uma migração de votos da centro-direita antes da eleição, mas que não deve ser total. A delação de Antonio Palocci não deve alterar o cenário, diz o analista, porque o eleitor do PT "está careca de saber" do teor das acusações e não deve mudar seu voto.

Se o Ibope desta segunda-feira surpreendeu com Bolsonaro resiliente aos protestos e polêmicas da última semana, no caso do Datafolha, que será feito totalmente nesta terça e divulgado à noite, a expectativa é sobre se haverá ou não efeito do noticiário mais negativo para a campanha do PT, com a delação do ex-ministro Palocci e a própria pesquisa Ibope no alto das manchetes dos jornais.

"A cada dia que passa as pesquisas ficam, teoricamente, mais próximas à realidade da eleição, mas devemos considerar que outros eventos podem ocorrer, gerando volatilidade", diz Pedro Galdi, analista da Mirae Corretora, em entrevista por telefone.

Nesta terça-feira, em reação ao Ibope, o dólar cai mais de 2%, no patamar de R$ 3,92, rumo à maior queda desde junho em termos de fechamento. A bolsa sobe 4%, acima de 81.000 pontos, a caminho de encerrar o dia na maior alta desde maio de 2016.

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