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Venda de imóveis em Manhattan desaba em mercado lotado de oferta

Oshrat Carmiel

02/10/2018 16h12

(Bloomberg) -- Este tem sido um ano difícil para os vendedores de casas em Manhattan, e eles não verão um alívio tão cedo.

No período de três meses finalizado em setembro, as compras caíram 11 por cento em relação ao ano anterior, para 2.987 - o quarto trimestre consecutivo de declínio, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela avaliadora Miller Samuel e pela corretora Douglas Elliman Real Estate. Os anúncios de imóveis à venda se acumularam no mercado a um ritmo ainda maior, subindo 13 por cento, para 6.925 residências, um recorde para um terceiro trimestre desde 2011.

Um mercado de ações em alta normalmente estimula o otimismo entre compradores no mercado imobiliário de Manhattan - mas não desta vez. Anos de preços crescentes, juntamente com mudanças nos impostos federais, que aumentaram os encargos para alguns proprietários de imóveis, levaram pretendentes a compradores a avaliar o valor da compra de imóveis em relação a outros investimentos. Muitos dos que decidem comprar pressionam para obter descontos, recusando-se a pagar demais diante de tantas opções.

"É um pouco desconcertante", disse Garrett Derderian, diretor de dados e relatórios da corretora Stribling & Associates, que também divulgou um relatório sobre as vendas de casas em Manhattan nesta terça-feira. "Os mercados financeiros estão bastante fortes. As taxas de hipoteca, embora estejam subindo, continuam em pisos históricos. No entanto, a percepção é de que o mercado está superaquecendo em termos de preços. Obviamente, ninguém quer entrar no topo, onde eles estão pagando os preços mais altos enquanto as coisas estão caindo."

A Stribling registrou o terceiro trimestre mais fraco de Manhattan desde o colapso do Lehman Brothers Holdings, há uma década, que congelou o mercado imobiliário. Os 2.212 contratos assinados - um indicador das vendas pendentes - foram a menor quantidade para o período desde 2008, e a oferta, por sua vez, foi a maior desde então.

Os compradores que chegaram a um acordo no trimestre exigiram descontos, o que derrubou o preço médio das compras concluídas em 4,5 por cento em relação ao ano anterior, para US$ 1,12 milhão, informaram Miller Samuel e Douglas Elliman. Em 54 por cento das vendas, os compradores pagaram menos do que os vendedores tinham pedido. Outros 37 por cento das transações fecharam com o preço pedido, mas muitas vezes esse número já havia sido reduzido.

"Nos últimos oito anos, o mercado não parou de subir", disse Bess Freedman, copresidente da corretora Brown Harris Stevens. "Mas agora é hora de os vendedores ajustarem os preços para onde o mercado precisa estar. Acho que, aos poucos, eles vão fazer isso cada vez mais."

A Brown Harris Stevens, em um relatório conjunto com a Halstead, disse que as casas usadas de Manhattan passaram em média 104 dias no mercado no terceiro trimestre, em comparação com 94 dias no ano anterior. Os preços médios dos imóveis de cooperativas caíram para quase todos os tamanhos de apartamento, sendo que os de três quartos registraram o maior declínio, 17 por cento, para US$ 3,13 milhões.

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