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CEOs mais velhos ficam mais no emprego graças ao bull market

Jeff Green

03/10/2018 14h54

(Bloomberg) -- O bull market está ficando mais velho. Os CEOs responsáveis por ele também.

Neste momento em que os EUA entram em seu nono ano de recuperação econômica, os CEOs das grandes empresas estão, na média, mais velhos que nos últimos 17 anos, pelo menos, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Conference Board e pela agência de recrutamento Heidrick & Struggles.

Cerca de 10 por cento dos CEOs do S&P 500 têm 65 anos ou mais e continuam trabalhando muito depois da idade tradicional de aposentadoria. Aos 88 anos, Warren Buffett é o mais velho deles.

O envelhecimento do alto escalão das empresas é estimulado por fatores complementares. Os executivos não têm pressa de se aposentar, e os diretores estão cada vez mais à vontade para mantê-los por perto. No início do ano, os diretores da Merck & Co. votaram pela eliminação da idade de aposentadoria compulsória para manter Kenneth Frazier no cargo depois de completar 65 anos.

"Se for preciso escolher entre prolongar o mandato de um executivo de bom desempenho ou enfrentar as incertezas inevitavelmente ligadas à sucessão de um CEO, obviamente escolhe-se a primeira opção, certo?", disse Matteo Tonello, diretor administrativo de liderança corporativa da Conference Board.

Em 2017, os CEOs tinham em média 58 anos, contra uma idade média de 55 anos uma década atrás, segundo o relatório. Além disso, eles estão mantendo o emprego por mais tempo: a duração média do mandato é de 10,9 anos, a maior desde 2002.

Dezesseis CEOs administram as mesmas empresas há pelo menos 25 anos, incluindo Leslie Wexner, que chefia a L Brands há 55 anos e é o executivo com mais tempo de atividade no S&P 500.

Os setores de atacado e varejo são uma exceção à estabilidade corporativa de forma geral. Tiveram a maior taxa de rotatividade de CEOs em 2017, disse Jeff Sanders, vice-presidente do conselho da Heidrick & Struggles.

"Se observarmos os setores em que a rotatividade foi bastante alta, tanto no varejo quanto no atacado, veremos que são aqueles que provavelmente enfrentam mais disrupção, em particular por causa da Amazon", disse Sanders. "As empresas do varejo ou do atacado podem até querer alguém totalmente voltado ao digital, seja vindo de uma empresa digital ou de uma empresa que deu o salto e teve sucesso na transformação digital."

Se a economia perder força ou a recuperação acabar, a fidelidade aos CEOs mais velhos pode enfraquecer, disse Tonello. Em tempos de tensão, as empresas sentem mais pressão para realizar mudanças: no pico da recessão de 2009, o tempo de mandato médio dos CEOs era de apenas 7,2 anos, o menor período registrado pelo estudo, disse.

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