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Bolsistas da Fundação Lemann pedem união em torno de Ciro Gomes

David Biller

04/10/2018 14h20

(Bloomberg) -- Um grupo de bolsistas da fundação do bilionário Jorge Paulo Lemann está fazendo um apelo para que três candidatos à Presidência da República se unam contra os dois favoritos na disputa a poucos dias do primeiro turno.

Dez bolsistas da Fundação Lemann elaboraram um abaixo-assinado publicado online pedindo que Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) se unam para barrar os líderes das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), da extrema-direita, e Fernando Haddad (PT), à esquerda. Os bolsistas sugerem que a aliança seja liderada por Ciro, que tem o melhor desempenho dos três e venceria todas as simulações de segundo turno, de acordo com as sondagens de intenção de voto.

"Prezados candidatos, apelamos para o vosso patriotismo e esperamos que o histórico de serviço ao povo brasileiro que a senhora e os senhores possuem fale mais alto nesse momento", diz o texto. "Eleitores brasileiros, não deixemos que o país sucumba ao ódio e fanatismo. Juntos podemos garantir uma terceira via para o Brasil, assine aqui o documento você também!"A Fundação Lemann afirmou por e-mail que as opiniões expressas no abaixo-assinado não representam as da instituição nem as de todos os seus quase 500 bolsistas. Um porta-voz de Lemann, o homem mais rico do Brasil, com patrimônio líquido de US$ 24,5 bilhões, disse que ele não se pronunciará.

O documento, publicado nesta quarta-feira, tinha quase 25 mil assinaturas na manhã do dia seguinte e é o mais recente sinal de frustração de parte do eleitorado diante de um provável 2º turno entre Bolsonaro e Haddad.

Ciro se disse muito honrado com a proposta, mas que cabe a Marina e Alckmin decidirem se vão desistir de suas candidaturas, segundo declaração a jornalistas. Com 10% das intenções de voto no primeiro turno, Ciro está atrás de Haddad, de acordo com o último Ibope.

Questionado sobre possível aliança de Alckmin com Marina e Ciro no primeiro turno, Ricardo Tripoli, vice-presidente do PSDB, disse que "não há nenhuma chance, zero chance de o Geraldo desistir". "Não vi nenhuma conversa nesse sentido. É fofoca", afirmou.

O coordenador nacional da Rede, Pedro Ivo Batista, disse que Marina também não irá retirar a candidatura. "Marina é a única candidata que tem a proposta de unir o país", afirmou. "Vamos até o fim confiantes nos votos dos indecisos que representam, de acordo com as pesquisas, um terço dos eleitores".

--Com a colaboração de Samy Adghirni, Simone Iglesias e Ney Hayashi.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Maria Luiza Rabello, mrabello@bloomberg.net

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