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Melinda Gates pede que empresas de TI façam mais pelos pobres

Sarah Foster e Andrew Mayeda

04/10/2018 14h56

(Bloomberg) -- Melinda Gates pediu que as grandes empresas de tecnologia se empenhem mais em ajudar os pobres do mundo investindo em acesso sem fio e outros projetos que possam ajudar a elevar os padrões de vida dos trabalhadores de países em desenvolvimento.

"O que podemos fazer é pressioná-las a executar ações pelos pobres e fazer coisas por todos", disse Melinda, que é copresidente da Fundação Bill & Melinda Gates, a organização filantrópica do casal, em entrevista. "Podemos oferecer algum incentivo para que essas empresas de tecnologia façam a coisa certa, para puxar todos para o mercado."

As declarações de Melinda coincidem com a crescente pressão social e política sofrida pelas gigantes digitais para que se esforcem mais para conter a crescente disparidade de renda entre altos executivos e trabalhadores comuns. A Amazon.com anunciou na terça-feira promessas de aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora para trabalhadores dos EUA a partir de 1º de novembro depois que o Bernie Sanders, senador por Vermont, alegou que os funcionários da empresa recebem salários tão baixos que muitos precisam pedir ajuda ao governo. Mas a empresa está eliminando os bônus mensais e prêmios em ações para os trabalhadores de depósitos e outros funcionários com contratos por hora.

O domínio de empresas de tecnologia como Amazon e Google tem gerado pedidos de algumas autoridades por um desmembramento das empresas -- o que lembra as críticas sofridas pela Microsoft na década de 1990, quando o Windows se tornou o principal sistema operacional dos computadores pessoais. O presidente dos EUA, Donald Trump, tuitou em julho que a Amazon tem um "enorme problema antitruste".

Melinda preferiu não comentar se grandes empresas de tecnologia como Google e Amazon deveriam ser desmembradas. Mas disse que as autoridades devem criar incentivos para que as empresas de tecnologia ajudem pessoas em países de baixa renda, e não apenas em nações ricas.

O debate atual a respeito da tecnologia está concentrado demais na ameaça da automação para os empregos, segundo relatório divulgado na quarta-feira pela Pathways for Prosperity Commission, um grupo copresidido por Melinda que estuda como tornar a tecnologia mais inclusiva em países pobres. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que 14 por cento dos empregos nas economias avançadas correm o risco de ser substituídos pela inteligência artificial ou por robôs.

"Os economistas estão meio que acordando para a ideia de que pode não ser bem assim", disse Melinda. Quando a Microsoft criou o programa de planilhas eletrônicas Excel, por exemplo, muitos contadores de baixo nível perderam seus empregos, mas novos cargos acabaram se abrindo com salários melhores, disse.

Melinda disse também que as disputas comerciais não ajudarão a resolver o problema da desigualdade. O presidente Donald Trump vem intensificando a guerra comercial com a China, inclusive com a aplicação de tarifas, no mês passado, a outros US$ 200 bilhões em importações do país asiático.

"Bill e eu acreditamos fundamentalmente em mercados abertos", disse Melinda. "Se tivermos as políticas comerciais certas, elas podem ser inclusivas para todos."

Repórteres da matéria original: Sarah Foster em Washington, sfoster94@bloomberg.net;Andrew Mayeda em Washington, amayeda@bloomberg.net

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