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Resíduos plásticos nos oceanos do planeta podem dobrar até 2030

Alexander Kwiatkowski

05/10/2018 12h08

(Bloomberg) -- A Agência Internacional de Energia fez um alerta sério a respeito da saúde dos oceanos do mundo.

A quantidade total de resíduos plásticos nos oceanos deverá mais do que dobrar até 2030 e a situação continuará piorando se não forem tomadas medidas agora, segundo projeções da organização com sede em Paris, em relatório publicado nesta sexta-feira.

As imagens impressionantes de tartarugas sufocadas e ondas tropicais cheias de lixo ajudaram a aumentar a conscientização a respeito da ameaça dos resíduos plásticos nos oceanos. Mas as projeções da AIE sugerem que os esforços para conter a poluição -- como o movimento para proibição dos canudos de plástico -- podem ser inúteis se não houver uma revolução global do processo de reciclagem e da gestão de resíduos.

Estima-se que cerca de 100 milhões de toneladas de resíduos plásticos já tenham "vazado" para os oceanos, quantidade que cresce 5 milhões a 15 milhões de toneladas por ano, segundo pesquisa citada pelo AIE. A infame Grande Porção de Lixo do Pacífico, que cobre uma área três vezes maior do que a da França e tem o equivalente a 250 peças de plástico para cada pessoa na Terra, pode ter apenas 79.000 toneladas, informou a AIE.

O problema é que os esforços de reciclagem e gestão de resíduos não acompanham o enorme crescimento da produção e do consumo de plástico. Atualmente, menos de 20 por cento dos resíduos plásticos são coletados para reciclagem, segundo a AIE.

'Superados de longe'

"Apesar do aumento significativo da reciclagem e dos esforços realizados para limitar os plásticos de uso único, liderados especialmente pela Europa, pelo Japão e pela Coreia, esses esforços serão superados de longe pelo forte aumento do consumo de plástico (e do descarte) nas economias em desenvolvimento", escreveu a agência em relatório sobre o setor petroquímico.

A produção global de plástico cresceu mais de 10 vezes desde 1970, mais rapidamente do que qualquer outro grupo de materiais de consumo, segundo a AIE. E a demanda quase dobrou desde o começo do milênio.

A agência projeta que até 2050 a produção de um grupo de termoplásticos essenciais que inclui tereftalato de polietileno (PET, usado para fabricar garrafas plásticas), polietileno e PVC pode crescer quase 70 por cento em relação aos níveis de 2017. A produção global aumentaria quase 30 por cento, para mais de 60 quilos per capita.

Economias emergentes

EUA, Europa e outras economias desenvolvidas atualmente usam até 20 vezes mais plástico per capita do que as economias emergentes, segundo a AIE. Os países em desenvolvimento aumentarão sua participação no consumo global à medida que suas populações se tornarem maiores e mais ricas, enquanto o uso dos países desenvolvidos se manterá estável ou diminuirá.

"Sem a tomada de ações ambiciosas em todo o mundo, em particular nas regiões nas quais a demanda por plástico está crescendo rapidamente, é improvável até que as tendências atuais de vazamento de plástico diminuam, e muito menos que sejam revertidas", afirmou a AIE.

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