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Wells Fargo ignora freiras e libera crédito a fábrica de armas

Polly Mosendz e Hannah Levitt

05/10/2018 15h09

(Bloomberg) -- O Wells Fargo manteve o apoio à indústria de armas, sem se abalar com críticas aos vínculos que mantém com fabricantes do setor e com a National Rifle Association (associação dos EUA que defende os direitos dos donos de armas).

Na semana passada, o banco sediado em São Francisco liberou uma linha de crédito de US$ 40 milhões à Sturm Ruger. O dado não inclui os US$ 431 milhões em captações que o Wells Fargo coordenou para fabricantes do setor desde dezembro de 2012, quando o ataque à escola primária Sandy Hook intensificou o debate sobre o controle de armas. Nenhum outro banco emprestou mais dinheiro ao setor nesse período, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

O novo empréstimo ? concedido a uma das maiores fabricantes de armas com ações negociadas em bolsa ? surpreendeu pelo menos um grupo: freiras que vinham conversando com o Wells Fargo sobre responsabilidade corporativa. Em 26 de setembro, véspera do acordo de crédito, as freiras se reuniram em Nova York com funcionários do banco que cuidam de padrões nos negócios.

"É uma notícia chocante porque tínhamos um diálogo consistente com o Wells Fargo", disse a Irmã Nora Nash, da congregação São Francisco da Filadélfia, que compareceu ao encontro como integrante do Centro Ecumênico de Responsabilidade Corporativa. "Esse novo relacionamento empresarial com a Sturm Ruger entra em conflito direto com a ética, a cultura e o respeito aos direitos humanos em toda a firma."

Vínculos com fabricantes de armas

Diferentemente do Wells Fargo, muitos grandes bancos ? incluindo Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase ? declararam que reduziriam relacionamentos com fabricantes de armas após o ataque a um colégio de ensino médio em Parkland, na Flórida, que deixou 17 mortos.

O Wells Fargo tem um longo relacionamento com a NRA, oferecendo crédito e cuidando das principais contas da associação.

O banco declarou em comunicado que continua trabalhando com o Centro Ecumênico em padrões de negócios.

"O Wells Fargo quer que escolas e comunidades estejam seguras, mas mudanças em leis e regulamentos precisam ser definidas por meio de um processo legislativo que dê ao público americano oportunidade de participar e não estabelecidas arbitrariamente por um banco", afirmou o comunicado.

O Bank of America dava crédito para a Sturm Ruger até junho, quando essa linha chegou ao vencimento. Após o tiroteio em Parkland, a instituição afirmou que cessaria empréstimos a companhias que fabricam fuzis, como os produzidos pela Sturm Ruger.

O banco sediado em Charlotte, na Carolina do Norte, afirmou que não comenta questões de clientes. Um representante da Sturm Ruger não retornou contato da reportagem pedindo comentário.

Religiosos têm desempenhado papel de acionistas ativistas na questão das armas. Neste ano, grupos religiosos apresentaram propostas de acionistas àSturm Ruger e à American Outdoor Brands (antes chamada Smith & Wesson), exigindo relatórios sobre segurança. Ambas as propostas foram aprovadas.

Não se sabe como a Sturm Ruger usará a linha de crédito.

Repórteres da matéria original: Polly Mosendz em Nova York, pmosendz@bloomberg.net;Hannah Levitt em N York, hlevitt@bloomberg.net

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