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Empresas dos EUA estudam reaver dinheiro por pecados do #MeToo

Anders Melin

09/10/2018 12h52

(Bloomberg) -- Os conselhos administrativos de empresas dos EUA avaliam se os patrões que perderem o emprego por mau comportamento deverão devolver parte de sua remuneração.

Vários executivos importantes pediram demissão ou foram demitidos no ano passado após acusações de má conduta, e as empresas tiveram que arcar com as consequências, que podem incluir reputação abalada, clientes irritados e queda no preço das ações.

Dar mais liberdade aos conselhos para recuperar pagamentos dos culpados por assédio sexual e outros comportamentos inadequados poderia representar um obstáculo dissuasivo, mas reaver dinheiro nessas circunstâncias pode ser mais fácil na teoria do que na prática.

"Os conselhos ainda estão na fase de contemplação e ainda não vimos uma mudança generalizada para políticas mais amplas de recuperação, mas com certeza o assunto está sendo discutido", disse Jon Weinstein, sócio administrativo da Pay Governance, uma empresa de consultoria sobre remuneração de executivos.

Qualquer indício de irregularidades pode ter consequências. Em julho, a CBS caiu cerca de 6,6 por cento após rumores sobre um artigo da New Yorker que detalharia acusações de assédio sexual contra o então CEO Leslie Moonves, de 69 anos. Ele saiu do cargo em setembro e negou as acusações.

Também neste ano, os reguladores de jogos de azar iniciaram inquéritos sobre a Wynn Resorts na esteira de queixas de que o fundador Steve Wynn assediava sexualmente funcionárias em seus cassinos. Essas investigações podem resultar na revogação de licenças de jogos ou em exigências de que as empresas façam determinadas mudanças, como forçar indivíduos a vender participações. Wynn, de 76 anos, deixou a empresa em fevereiro.

A maioria das empresas de capital aberto dos EUA tem políticas de recuperação baseadas em uma disposição da Lei Sarbanes-Oxley, de 2002, que exige que CEOs e chefes de finanças devolvam alguma compensação de incentivo se posteriormente for determinado que suas ações contribuíram para que as empresas reformulassem os resultados financeiros.

Mas a má conduta pode ser prejudicial de outras formas, e alguns conselhos usaram políticas de recuperação para punir pessoas culpadas de transgressões graves que não resultaram em reformulações. Muitas empresas financeiras intensificaram esse tipo de política depois da crise de crédito de 2008 para mostrar aos órgãos reguladores e à população quais tipos de comportamento não seriam mais tolerados, de acordo com Weinstein.

O JPMorgan Chase, por exemplo, recuperou e cancelou prêmios no valor de pelo menos US$ 100 milhões para funcionários envolvidos no fiasco da trading London Whale, de 2012, que causou prejuízos de mais de US$ 6,2 bilhões. O Wells Fargo recuperou, cancelou e eliminou cerca de US$ 172 milhões em incentivos para vários funcionários importantes, incluindo o ex-CEO John Stumpf, após um escândalo de contas falsas que abalou a imagem do banco e resultou em centenas de milhões de dólares em multas e acordos jurídicos.

"A lógica é que, se você estiver fazendo algo que, embora não seja fraudulento, é inadequado e poderia causar um impacto no preço da ação, por que não ter que efetuar uma devolução por isso?", disse Aalap Shah, diretor administrativo da consultoria de compensação executiva Pearl Meyer.

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