ipca
0,48 Set.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Cotações

G-20 formata títulos garantidos por infraestrutura verde

Anna Hirtenstein e Sarah Husband

09/10/2018 12h11

(Bloomberg) -- O instrumento financeiro que quase levou a economia global ao colapso está sendo reformulado para criar um mercado com um objetivo ambicioso: salvar o planeta.

Um grupo montado por nações do G-20 deu a largada em uma iniciativa de securitização de empréstimos bancários para projetos sustentáveis de infraestrutura, proporcionando uma nova maneira de atrair dinheiro do setor privado para projetos que visam conter o aquecimento global. Se funcionar, a novidade pode canalizar trilhões de dólares para a causa, unindo mercados de capitais e investimentos verdes.

"O G-20 não pode criar um mercado, mas trabalhar com o setor privado ilustra como um mecanismo pode ser desenvolvido para permitir que o investidor institucional acesse esse mercado de investimentos sustentáveis", disse Michael Sheren, copresidente do Grupo de Estudos em Finanças Sustentáveis do G-20. "Isso pode aumentar o ritmo e a escala dos investimentos sustentáveis."

Instrumentos financeiros desse tipo podem ser garantidos por ativos como imóveis, veículos e cartões de crédito. Neste caso, dívidas contraídas para erguer projetos de infraestrutura são empacotadas em um instrumento financeiro depois vendido a investidores. Os pagamentos de juros feitos pelos tomadores de recursos geralmente são repassados na forma de cupons aos detentores desses títulos compromissados.

Essa classe de instrumento financeiro contribuiu para deflagrar a crise financeira de 2008. Os bancos securitizaram empréstimos de recebimento duvidoso ? especialmente financiamentos de imóveis residenciais nos EUA ?, apostando que a diversificação cancelaria os riscos. Quando alguns desses papéis perderam valor, o pânico tomou conta dos mercados financeiros no mundo todo.

Uma década depois, Sheren e a equipe do G-20 esperam que esses tipos de papéis possam ser criados com empréstimos concedidos a projetos sustentáveis. O objetivo é estabelecer um mercado que, na opinião de Sheren, pode contribuir substancialmente para a transição para uma economia de baixa emissão de carbono.

O plano ajudaria a alcançar as ambições definidas no Acordo de Paris ? pacto de 2015 entre quase 200 países que prometeram limitar todas as emissões de combustíveis fósseis pela primeira vez. Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) estimou em US$ 2,4 trilhões anuais o investimento necessário em energias verdes até 2035 ? 40 por cento mais do que os US$ 1,8 trilhão investidos no segmento no ano passado.

Contando outras formas de infraestrutura como sistemas de água e tratamento de esgoto, a projeção para a necessidade de investimento para tornar a economia mais verde chega a US$ 100 trilhões.

"Esses US$ 100 trilhões - quem tem esse dinheiro? Para mobilizar isso e no longo prazo, a melhor ferramenta é o investidor institucional", disse Vikram Widge, responsável global por finanças e políticas climáticas da International Finance Corp (IFC). "O enorme pool de poupança global ? não dá para fazer sem isso."

Investimento verde

É aí que entra esse novo mercado, que criaria um canal entre financiadores e investidores institucionais, permitindo que os originadores de crédito transfiram dívidas atreladas a projetos de infraestrutura a seguradoras e fundos de pensão.

Os bancos costumam manter os empréstimos associados a infraestrutura até o vencimento ? pelo menos 15 anos no caso de parques de energia eólica e solar. Os prazos longos e montantes sobrecarregam os balanços patrimoniais dos bancos e limitam o número de projetos que podem financiar.

"Se a lógica econômica funcionar, ter um mercado pronto para esses empréstimos certamente aumentaria o apetite de originação dos bancos", disse Lisa McDermott, diretora-executiva de project finance do ABN Amro NV.

--Com a colaboração de Lars Paulsson.

Repórteres da matéria original: Anna Hirtenstein em Londres, ahirtenstein@bloomberg.net;Sarah Husband em Londres, shusband@bloomberg.net

Newsletters

Receba dicas para investir e fazer o seu dinheiro render.

Quero receber

Mais Cotações