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Boom das baterias criou nova superpotência do lítio na China

David Stringer e Martin Ritchie

10/10/2018 12h45

(Bloomberg) -- A cidade irlandesa de Carlow, que abriga um castelo do século 13 em ruínas, é um improvável ponto de apoio da rápida ascensão de um nome importante do esforço da China para dominar a revolução global dos veículos elétricos.

A Ganfeng Lithium enviou uma equipe para a cidade -- a 90 minutos de carro a sudoeste de Dublin -- em 2013, que viajou entre possíveis depósitos de lítio espalhados pelo verdejante interior do país. A iniciativa fez parte da primeira incursão da empresa fora da China em meio a um impulso para ampliar a produção de materiais essenciais necessários para a produção de baterias recarregáveis.

Com projetos e parcerias que atualmente vão da América do Sul à Austrália, a Ganfeng pretende usar os recursos de uma venda de ações em Hong Kong nesta semana para dar sequência a uma onda de crescimento que deverá transformá-la na segunda maior produtora do setor a partir deste ano.

"Eles entenderam há muitos anos -- no início dos anos 2000 -- que o lítio impulsionaria toda a revolução da energia verde", disse Kirill Klip, ex-executivo da primeira parceira internacional da Ganfeng, a International Lithium, que entrou no grupo de trabalho na Irlanda. "É uma abordagem muito de colocar a mão, literalmente -- eles estavam trabalhando com nossos geólogos revirando pedras, estudando todas as pedras de lítio", disse Klip, agora presidente-executivo do conselho da TNR Gold.

Desde a expedição irlandesa, a participação da Ganfeng na produção de lítio refinado subiu de cerca de 6 por cento em 2013 para estimados 11 por cento neste ano, segundo a Roskill Information Services. A empresa responde por cerca de um quarto do hidróxido de lítio com qualidade para baterias, o material atualmente mais procurado pelas fabricantes de veículos, mostram dados da empresa de pesquisa.

Criada em 2000 na província de Jiangxi, no sudeste do país, e com ações vendidas em Shenzhen uma década depois, a Ganfeng tem experiência no processamento de matérias-primas de lítio -- que normalmente vem dos lagos salgados da América do Sul ou de minas da Austrália -- para transformá-los nos produtos químicos da fase seguinte, que podem ser usados em baterias de íons de lítio.

Seu rápido crescimento e os planos de usar a receita da venda de ações para elevar ainda mais a produção atraíram clientes blue-chip ansiosos por garantir oferta a longo prazo. De agosto para cá, a Ganfeng fechou novos acordos com a Tesla, a BMW e a produtora de baterias LG Chem.

"Eles reagiram rapidamente em um mercado em mudança e isso permitiu que aumentassem a produção de acordo com as exigências do mercado", disse Robert Baylis, analista da Roskill em Londres, por telefone. "Outras empresas não foram capazes de fazer isso com a mesma velocidade."

Esse crescimento rápido chega em bom momento. No total, menos de um milhão de veículos elétricos haviam sido vendidos no início de 2016. Agora, há cerca de quatro milhões nas ruas do mundo e levará apenas em torno de seis meses para adicionar mais um milhão, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

O salto na produção de lítio elevou os ganhos da Ganfeng -- que tem previsão de aumentar em cerca de um terço neste ano -- e colocou a empresa à frente de líderes consolidados do setor, como a FMC, em termos de volume. A empresa está a caminho de superar neste ano a segunda maior, a Sociedad Química y Minera de Chile, segundo a consultoria CRU Group, e se considera que futuramente desafiará a Albemarle, a número 1.

--Com a colaboração de Adrian Leung, Heesu Lee, Vinicy Chan e Mengchen Lu.

Repórteres da matéria original: David Stringer em Melbourne, dstringer3@bloomberg.net;Martin Ritchie em Xangai, mritchie14@bloomberg.net

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