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Produtoras de cobre se apegam a ativos e podem frustrar fusões

David Stringer e Haidi Lun

31/10/2018 15h30

(Bloomberg) -- As expectativas de que haverá um rápido aumento no fechamento de negócios no setor do cobre podem ser equivocadas, já que as produtoras estão relutantes em vender projetos devido à perspectiva positiva para o metal, segundo a Antofagasta.

"Estamos abertos às oportunidades que surgem, mas uma das características do mercado do cobre é que não se veem muitos bons ativos sendo negociados", disse o CEO da empresa, Iván Arriagada, em entrevista à Bloomberg Television. "Não acreditamos que haverá um mercado muito ativo no setor do cobre."

A avaliação contrasta com a visão do Goldman Sachs de que há potencial para uma "onda crescente de fusões e aquisições" em um momento em que as empresas procuram adicionar mais exposição ao cobre. A Rio Tinto e a Lundin Mining estavam entre as que poderiam buscar aquisições, informou o banco em nota, neste mês.

O valor das transações pendentes e concluídas do setor de cobre subiu de US$ 1,5 bilhão em 2017 para US$ 7 bilhões neste ano, mas continua muito abaixo dos US$ 14,5 bilhões em transações de 2014, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"O cobre tem uma boa perspectiva para longo e médio prazo e, portanto, a maioria das empresas quer desenvolver ativos e permanecer por muito tempo", disse Arriagada. A Antofagasta vê o mercado em equilíbrio neste ano e com déficit em 2019, fator que elevará os preços acima do nível de US$ 3 por libra ao longo do tempo, disse.

Pode haver novos projetos suficientes, particularmente em desenvolvimento na África, para atender a demanda nos próximos anos e há maior probabilidade de que surja um déficit na década de 2020, disse Paul Young, analista do Goldman Sachs, por telefone, de Sidney. É provável também que as empresas do setor em busca de aquisições procurem se associar a outras empresas nas transações. "Podem surgir joint ventures", disse.

A Freeport-McMoRan, que tem minas nas Américas e na Indonésia, não pretende se vender agora, mas continuará aberta a "oportunidades para os acionistas à medida que surgirem no futuro", disse o CEO Richard Adkerson, na semana passada, em conferência sobre resultados. Adkerson havia dito no início do mês que aquisições, parcerias e até mesmo uma venda estão entre as possibilidades para a maior produtora de cobre de capital aberto do mundo.

A Rio Tinto quer adicionar cobre, mas não correrá para fechar nenhum negócio, disse o CEO Jean-Sébastien Jacques na terça-feira, em entrevista. A Lundin Mining, cuja oferta pela Nevsun Resources, que é focada no cobre, foi superada pela da Zijin Mining Group, planeja continuar em busca de oportunidades de crescimento, informou a produtora no mês passado.

A exploração, em vez das fusões e aquisições, provavelmente será a melhor forma de agregar valor, disse Elizabeth Gaines, CEO da Fortescue Metals Group, em entrevista à Bloomberg TV. A produtora de minério de ferro com sede em Perth, na Austrália, está à procura de cobre em áreas como Austrália e Equador com o objetivo de se diversificar.

Repórteres da matéria original: David Stringer em Melbourne, dstringer3@bloomberg.net;Haidi Lun em Hong Kong, hlun1@bloomberg.net

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