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Amazon eleva remuneração mínima, mas exclui trabalhadores `Flex'

Olivia Zaleski

01/11/2018 14h31

(Bloomberg) -- Depois de terminar seu trabalho diurno em uma escola pública autônoma, Sherwin Karunungan dirige-se a um armazém insípido em São Francisco que funciona como um centro de remessas para a Amazon. Em um recinto sem janelas, Karunungan aperta um único botão em seu telefone, repetidamente, para solicitar um trabalho através do Amazon Flex. Esse programa permite que qualquer um se inscreva para transportar encomendas para a maior loja on-line do mundo usando seu próprio carro para ganhar dinheiro fazendo a entrega. Mas primeiro, é preciso conseguir algum trabalho em si. Em uma recente noite de terça-feira, uma multidão de outros trabalhadores estava de cócoras por perto com seus telefones, todos passando o dedo furiosamente na tela para atualizar uma página com poucas ofertas de trabalho.

"Oba, Bayview!", grita Karunungan. Sua missão fica a cerca de cinco quilômetros de distância. "Dirigir menos é bom, porque sobra mais dinheiro para mim", diz ele. Como os trabalhadores usam seu próprio veículo, arcam com o combustível e pedágios, e às vezes precisam retornar ao armazém no final do dia, um trabalho do Flex pode parecer uma espécie de caça-níqueis. E como eles são obrigados a fazer as entregas em um curto espaço de tempo, Karunungan pula da cadeira e corre para pegar suas encomendas e colocá-las no carro.

A Amazon depende de funcionários dos correios do governo, de operadores internacionais de entregas, como UPS e FedEx, de transportadoras locais e de seu próprio conjunto de armazéns, aviões e caminhões para entregar encomendas o mais rápido possível aos clientes. O Amazon Flex é uma das mais novas e invisíveis adições a essa rede, mas já conta com pessoas em mais de 50 cidades dos EUA que entregam pacotes em seu tempo livre. A expansão da empresa e sua incansável busca por eficiência - às vezes à custa de sua própria força de trabalho - fazem dela um alvo de críticas. Detratar a Amazon é uma das poucas plataformas bipartidárias na política americana, e a companhia provoca a ira tanto do presidente Donald Trump e quanto do senador Bernie Sanders.

Nesta quinta-feira, a Amazon elevará a remuneração mínima de todos os funcionários dos EUA para US$ 15 por hora, uma medida que foi vista como uma resposta às pressões políticas. A empresa afirmou que também dará aumentos a todos os funcionários de operações e de atendimento ao cliente em trabalhos por hora, inclusive para os trabalhadores de meio período e os temporários. As pessoas que trabalham no Amazon Flex ficarão de fora, porque são contratados independentes.

A Amazon anuncia uma remuneração por hora de US$ 18 a US$ 25 para o Flex. No entanto, entrevistas com motoristas do Flex e pesquisas feitas por analistas financeiros da Bernstein indicam que a remuneração líquida é muito menor quando se leva em conta despesas essenciais do trabalho. Os ganhos reais vão de US$ 5 ou US$ 11 por hora, dependendo do que um trabalhador escolhe deduzir, concluiu a Bernstein. O cálculo pressupõe que um motorista ganha gorjetas e registra certos custos relacionados ao trabalho, como combustível e pedágios. Dois motoristas disseram que sua remuneração ficou dentro dessa faixa. Sete outras pessoas que conversaram com a Bloomberg disseram que nunca se preocuparam em fazer as contas. "A maioria desses motoristas do Flex não faz ideia - eles não percebem que estão ganhando consideravelmente menos e trabalhando consideravelmente mais do que o que a Amazon menciona no aplicativo", diz David Vernon, analista da Bernstein que trabalhou no relatório.

Uma porta-voz da Amazon discordou das conclusões da Bernstein, que a empresa distribuiu para fundos de hedge e outros clientes em maio. O estudo se baseia em "suposições errôneas e em relatos, não em dados reais", escreveu a porta-voz em um e-mail. "Esse relato não reflete com exatidão a experiência e a renda da esmagadora maioria dos contratados independentes que entregam encomendas com o Amazon Flex". Ela afirma que um motorista ganha em média mais de US$ 20 por hora, mas não forneceu uma estimativa que contabilize as despesas.

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