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Carne suína orgânica não conquista muitos adeptos nos EUA

Deena Shanker

01/11/2018 14h25

(Bloomberg) -- Embora não faltem opções em Nashville para quem adora churrasco, muita gente acaba indo buscar sua dose em um food truck que fica em um estacionamento.

No Gambling Stick, na avenida Gallatin, o mestre churrasqueiro Matt Russo serve carne de porco produzida localmente e comprada no Porter Road, o açougue na frente do qual ele estaciona seu food truck e onde já trabalhou, pertencente a James Peisker e Chris Carter. Cada um deles pode falar aos clientes sobre o alto padrão de sua carne. Sem antibióticos nem hormônios? Claro que sim. Os animais foram criados em pastos? Com certeza. E a carne é orgânica? Não.

"Os porcos são criados da forma mais natural possível - eles têm pastos, árvores e coisas para acrescentar à sua dieta natural", disse Russo. O resultado dessa liberdade toda ao ar livre é uma carne mais vermelha e saborosa. "Ganha-se muito mais qualidade deixando que os porcos andem por aí e desenvolvam sua musculatura."

"Muita gente nem pergunta se temos certificação orgânica", disse ele. "Somos um food truck defronte do Porter Road. As pessoas sabem que nada pode ser melhor que isso."

Embora o crescimento do setor orgânico global continue ultrapassando o total de vendas de alimentos - ele totalizou US$ 49,4 bilhões em 2017, um aumento de 6,4 por cento em relação ao ano anterior - e os consumidores de carne orgânica paguem mais caro por carne de frango e de boi fresca, as vendas de carne suína orgânica estão diminuindo, com uma queda de 2,4 por cento em peso no período de 52 semanas encerrado em 6 de outubro, de acordo com dados da Nielsen.

A carne suína orgânica não conquistou adeptos por causa da ausência de oferta e de demanda: os criadores não querem gastar mais dinheiro para criar porcos orgânicos porque os consumidores não pretendem gastar mais.

Obstáculos

O custo da ração orgânica é mencionado frequentemente como o maior obstáculo. Enquanto as galinhas vivem apenas semanas e precisam de cerca de 900 gramas de ração por cada 450 gramas de carne que produzem, e a carne bovina orgânica venha de vacas que se alimentam de pasto na maior parte de sua vida, os porcos vivem entre cinco e seis meses antes do abate e precisam de quase 1,4 quilo de ração por cada 450 gramas de carne produzida, e às vezes mais.

Além disso, as rações caras com certificação orgânica nem sequer melhoram o sabor.

"No paladar, não vai fazer diferença que o grão seja ou não orgânico", diz Ariane Daguin, proprietária da fornecedora de carne de alta qualidade D'Artagnan.

O mais importante, diz ela, é a criação, que inclui fatores como a raça do porco e o espaço disponível para ele andar por aí. Os porcos do Porter Road vivem e perambulam ao ar livre, mas obtêm a maior parte de suas calorias do milho sem organismos geneticamente modificados deixados para eles desfrutarem à vontade. E é a parte do desfrute, diz Carter, que os torna tão gostosos.

Do lado do consumidor, tudo se resume ao custo - e ao aspecto socioeconômico da alimentação.

A maioria dos consumidores de carne suína pertence a faixas de renda baixa e não quer gastar mais, diz Matt Lally, diretor associado da equipe Fresh, da Nielsen. Tradicionalmente, a carne de porco é considerada uma fonte de proteína barata. "A carne orgânica vai ser mais cara do que a convencional", explica ele, "então, será que o consumidor vai estar disposto a pagar essa diferença, considerando que ele tende a vir de famílias com renda mais baixa?".

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