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Goldman vê petróleo a US$ 80 e reduz preocupação com demanda

Pratish Narayanan

01/11/2018 14h37

(Bloomberg) -- As preocupações em relação à demanda por petróleo que estão derrubando os preços talvez sejam exageradas, segundo o Goldman Sachs.

O crescimento da demanda será resiliente, enquanto as exportações do Irã cairão ainda mais após a aplicação de sanções dos EUA ao integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), na semana que vem, disseram analistas, incluindo Damien Courvalin, em nota de 31 de outubro. Levando em conta a baixa capacidade ociosa da Opep, o Goldman reiterou a projeção de que o barril de petróleo Brent, referência do mercado, terminará o ano a US$ 80 -- cerca de 7 por cento acima do nível de preço atual.

O banco mantém a previsão depois de o Brent ter registrado o pior mês desde julho de 2016, porque a queda global das ações, a guerra comercial EUA-China e a promessa da Arábia Saudita de extrair mais petróleo reduziram os preços em relação ao pico de mais de US$ 86 registrado no início de outubro. O Goldman afirmou que as preocupações em relação à demanda dos mercados emergentes já haviam aumentado antes da última queda forte, impulsionadas pelas leituras econômicas decepcionantes, pelas margens de refino mais fracas e pelos custos locais mais elevados do petróleo.

"Embora o crescimento da demanda por petróleo tenha desacelerado em relação às altas da virada do ano, acreditamos que essas preocupações provavelmente sejam exageradas", escreveram os analistas. Eles continuam projetando um crescimento ano a ano de 1,55 milhão de barris por dia em 2018 e de 1,45 milhão de barris por dia em 2019, "pouco abaixo, apenas, de nossas projeções anteriores, mas ainda bastante acima do consenso de queda nas expectativas".

Como os dados sobre estoques de petróleo de outubro sinalizam uma desaceleração dos estoques globais e a produção do Irã ainda tem previsão de queda, o mercado provavelmente terminará em déficit em novembro, segundo o Goldman. Isso prepara o cenário para uma recuperação dos preços do petróleo, segundo o banco.

O barril de petróleo Brent era negociado a US$ 74,77 na bolsa ICE Futures Europe, com sede em Londres, às 10h33 pelo horário de Cingapura, depois de ter caído 8,8 por cento em outubro. O barril do West Texas Intermediate, referência dos EUA, era negociado a US$ 65,12 em Nova York.

Demanda subestimada

"Acreditamos que a demanda por petróleo desde o segundo trimestre provavelmente não seja tão ruim quanto parecia", disseram os analistas do Goldman. Há um padrão histórico de subestimação do consumo dos mercados emergentes "porque os valores são revisados para cima como 'barris faltantes' (petróleo produzido, mas inicialmente não identificado nos estoques ou na demanda) que acabam sendo atribuídos à demanda".

A demanda da China, a maior consumidora mundial de energia, continua surpreendendo positivamente apesar da desaceleração da atividade, afirma o Goldman. Enquanto isso, o impacto negativo dos preços mais altos dos combustíveis no varejo local nos mercados emergentes continuará moderado em 2018 e se dissipará em meados de 2019, segundo os níveis atuais do petróleo e do dólar americano, afirma o relatório.

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