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Ouro e iene não sairão ilesos de risco geopolítico, diz JPMorgan

Joanna Ossinger

01/11/2018 15h21

(Bloomberg) -- Investidores que realmente quiserem ficar longe de problemas geopolíticos devem montar posições maiores em dólares e índices de volatilidade e abandonar a segurança clássica de iene e ouro, recomenda o JPMorgan Chase.

Ativos tradicionalmente considerados portos seguros não necessariamente se sustentarão como reserva de valor diante das novas ameaças que abalam os mercados com maior violência e frequência, afirmaram estrategistas do banco em um relatório de 135 páginas. A equipe liderada pela chefe global de pesquisa Joyce Chang mostrou que as ações têm ficado mais sensíveis a instabilidade política desde 2008.

"O risco geopolítico é a regra, não a exceção", afirmou Chang em entrevista por telefone. "Estamos tentando incorporar Big Data e meios de alta frequência" para encontrar estratégias de investimento.

Do Brexit à eleição de Donald Trump à Casa Branca, investidores precisaram lidar com impactos em suas carteiras vindos de eventos geopolíticos inesperados nos últimos anos. A escalada da guerra comercial entre EUA e China derrubou ações em 2018, enquanto o preço do petróleo disparou com o tumulto na Venezuela e as sanções americanas ao Irã.

O quadro geopolítico afeta os mercados globais de modo relevante aproximadamente duas vezes por década e o impacto nos mercados locais é mais frequente, detalhou o estrategista John Normand em uma seção do relatório. A volatilidade tende a aumentar antes de uma crise e nem sempre cede imediatamente, enquanto grandes interrupções na oferta de petróleo podem adiar a recuperação, concluiu ele.

A maior probabilidade de impacto nos mercados em 2018 e 2019 vem das sanções ao Irã e da situação na Venezuela, enquanto o conflito entre EUA e China, as eleições ao Congresso americano, o Brexit e ataques cibernéticos têm probabilidade e impacto moderados. Um colapso das negociações de paz com a Coreia do Norte é menos provável, mas teria impacto maior, de acordo com o relatório.

Emergentes no fogo cruzado

O sentimento antiglobalização representa maior risco econômico para os mercados emergentes, uma vez que a ameaça de guerra comercial prolongada amplifica preocupações relativas a uma desaceleração da atividade, segundo o relatório, que ressalta que o comércio internacional continua sendo o principal motor da maioria das economias emergentes.

Por outro lado, riscos geopolíticos também podem beneficiar investidores, de acordo com o JPMorgan. Empresas de defesa e de combate a ataques cibernéticos podem avançar com a maior demanda. Já companhias de tecnologia dos EUA podem sofrer porque dependem da livre imigração, enquanto as seguradoras asiáticas seriam as mais impactadas pelo aquecimento global e por eventos climáticos extremos, segundo o relatório.

Títulos garantidos por financiamentos imobiliários dos EUA serão afetados por furacões mais poderosos, mas a cobertura oferecida pelo governo significa que dificilmente sofrerão grandes perdas, de acordo com os estrategistas.

Para quantificar o sentimento geopolítico, Normand, do JPMorgan, criou no ano passado um Índice de Ansiedade Global, baseado no número de reportagens publicadas diariamente sobre diversos temas geopolíticos. Pelo último levantamento, os investidores devem se preparar para mais volatilidade.

O nível atual do índice atualmente "está bem abaixo da média no agregado e entre seus componentes, destacando o risco de os mercados ficarem desordenados mais para o fim do ano", alertou Normand.

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