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Bilionário sócio do traficante El Chapo consolida império

Justin Villamil

05/11/2018 14h09

(Bloomberg) -- O antigo parceiro, Joaquín 'El Chapo' Guzmán, está sendo julgado nesta segunda-feira em Nova York por acusações de tráfico de drogas. O filho, que se declarou culpado pelo contrabando de toneladas de cocaína e heroína para os EUA, deve conhecer sua sentença em Chicago, no mês que vem.

Com isso, Ismael Zambada García, 70, um ex-funcionário de campos de papoulas mais conhecido como 'El Mayo', acabará lutando para manter o controle sobre o maior cartel do tráfico de drogas do mundo e sobre uma fortuna estimada pelo Bloomberg Billionaires Index em pelo menos US$ 3 bilhões. As autoridades americanas tentam confiscar US$ 14 bilhões de Chapo e a escolha do jurado começou nesta segunda-feira com um forte esquema de segurança.

Ao longo de várias décadas, El Mayo e o cartel de Sinaloa construíram um império baseado na cocaína, na heroína e no tráfico humano, alterando linhas de produtos em resposta à demanda, dominando mercados nos EUA e expandindo as conexões de exportação até a Austrália. O cartel supostamente lavava dinheiro por meio de alguns dos maiores bancos do mundo, fazendo injeções em empresas domésticas e contas no exterior.

Eles colocaram dinheiro em quase 250 empresas e muitas delas continuam operando, segundo a Agência de Combate às Drogas dos EUA (DEA). A rede de negócios se estende de Culiacán, capital de Sinaloa, a Panamá, Honduras e Colômbia. Inclui um parque aquático e uma creche que seria administrada pela filha de Zambada, María Teresa. O Departamento do Tesouro dos EUA a designou como parte da organização do pai em 2007 pela propriedade de empresas de fachada para o cartel.

"Ele tem um portfólio bastante diversificado", disse Mike Vigil, ex-chefe de operações internacionais da DEA. "Apesar de ter feito talvez apenas escola primária, ele foi ensinado no nível de Harvard por alguns dos mais prolíficos, conhecedores e astutos traficantes que o México já teve."

O cartel recebeu em média US$ 11 bilhões por ano com as vendas do outro lado da fronteira norte do México, segundo análise da Bloomberg baseada em informações da DEA sobre apreensões e preços. É provável que o número seja conservador, porque exclui a receita obtida em outros mercados além dos EUA. O cálculo também supõe que metade de todas as drogas destinadas aos EUA são apreendidas.

A análise pressupõe que o alto comando do cartel embolsou pelo menos 5 por cento da receita bruta, segundo estimativas de pessoas com conhecimento a respeito do cartel que pediram para não ser identificadas. Nesse ritmo, Zambada teria reunido US$ 3 bilhões desde 2001.

Mas agora que Zambada está escondido nas montanhas do norte do México e que o Departamento de Estado dos EUA está oferecendo recompensa de até US$ 5 milhões por informações que possam levar à sua prisão, o último chefe restante pode estar perdendo o controle do maior cartel de tráfico de droga do mundo. O índice de homicídios do México está em disparada porque antigos aliados de Chapo estão percebendo o vácuo de poder e rivais regionais estão ampliando suas forças.

A imagem mais clara do império controlado por Zambada vem do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA, uma divisão do Departamento do Tesouro que identifica pessoas e empresas ligadas ao cartel e que apontou múltiplas "designações de chefes" que retratam uma organização de alcance global.

As autoridades americanas "encerraram alguns negócios, não todos", disse Vigil. As "leis de confisco e apreensão de ativos [do México] têm muitas brechas".

Representantes do procurador-geral do México não responderam aos pedidos de comentário.

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