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Dinastia do setor agrícola consegue vitória em conselho da Bunge

Javier Blas

05/11/2018 15h58

(Bloomberg) -- No mundo do agronegócio, a família Fribourg faz parte da realeza.

Sua empresa familiar, de 205 anos, provocou alguma das maiores reviravoltas no comércio global de alimentos e se tornou conhecida na década de 1960 após realizar a inédita venda de trigo dos EUA à União Soviética. Agora, a companhia está moldando mais uma vez o setor agrícola dos EUA, defendendo a reorganização de uma célebre rival: a Bunge.

Na quarta-feira, a Continental Grain, empresa da família Fribourg, saiu vitoriosa de uma campanha de ativismo que durou seis meses contra a Bunge e obteve assentos no conselho junto com o hedge fund D.E. Shaw & Co. Como parte do acordo, a trading anunciou o início de uma análise estratégica, que muitas vezes antecede uma venda.

O acordo encerra um período tumultuado para a Bunge, outra empresa que remonta ao começo do século 19. A companhia, com sede no subúrbio de Nova York, foi afetada por resultados baixos, pela saída de seu principal trader e pelas tentativas malsucedidas de aquisição feitas por duas rivais de maior porte, a Glencore e a Archer-Daniels-Midland.

Para o reservado Paul Fribourg, descendente de sexta geração de Simon Fribourg, que fundou a empresa em 1813 onde hoje é a Bélgica, este é um momento raro no centro das atenções. Além de integrar o conselho da Bunge, ele também presidirá a análise estratégica da empresa.

Recuperação difícil

A recuperação da Bunge não será fácil. As tradings agrícolas são vítimas de algo que já abalou vários setores, da imprensa ao varejo: a revolução digital. Antigamente, traders embolsavam grandes lucros por terem muito mais informações sobre os preços das commodities do que os agricultores locais de quem compravam ou que as empresas de alimentos para as quais vendiam. Hoje, até mesmo o menor agricultor de Iowa com um smartphone ou um tablet pode obter dados em tempo real sobre as condições meteorológicas e os preços oferecidos a seus colegas brasileiros.

No mais recente sinal de problemas, a Bunge, cujo valor de mercado é inferior a US$ 9 bilhões, surpreendeu os investidores na quarta-feira ao diminuir a orientação de lucros operacionais para o ano cheio, de US$ 1,3 bilhão, informado aos investidores há três meses, para US$ 1,2 bilhão. As ações da Bunge caíram mais de 9 por cento naquele dia, o que aumentou a pressão sobre o CEO Soren Schroder.

"Embora o setor tenha enfrentado alguns desafios nos últimos anos, nós acreditamos que a Bunge, com sua base de ativos inigualável, tem todos os elementos para fortalecer mais sua posição", disse Fribourg, presidente da empresa familiar, em comunicado.

Estratégia

O comitê estratégico da Bunge deve procurar "possíveis grandes fusões, aquisições, vendas e outras transações estratégicas fundamentais", de acordo com seu estatuto, apresentado aos órgãos reguladores dos EUA.

No entanto, para a família Fribourg, que preferiu não fazer comentários para esta reportagem, investimentos são questões de longo prazo, portanto não está claro se a família vai pressionar para fazer uma venda rápida ou se recuperará a empresa antes.

"Como empresa que mede o sucesso em décadas - não em trimestres ou anos -, nós acreditamos em desenvolver relacionamentos permanentes", afirma a Continental no site ao explicar sua filosofia de investimento.

--Com a colaboração de Isis Almeida e Mario Parker.

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