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Facebook pressiona sites de boatos, mas polarização ainda cresce

Sarah Frier

05/11/2018 15h34

(Bloomberg) -- Em fevereiro, a página do YourNewsWire no Facebook estava no auge de sua popularidade, impulsionada por um post despudorado que alegava que Justin Trudeau, o primeiro-ministro canadense, era filho bastardo de Fidel Castro.

Essa publicação, compartilhada 1.800 vezes, representou exatamente o tipo de conteúdo que o Facebook prometeu eliminar de seu site - e que o YourNewsWire produziu prolificamente. O conteúdo foi criado para chamar atenção e, portanto, receita de publicidade. Também era comprovadamente falso.

O YourNewsWire continua publicando. Mas suas histórias não estão mais viralizando no Facebook, e o site está tendo mais dificuldade para ganhar dinheiro. No caso do YourNewsWire, pelo menos, o Facebook cumpriu suas promessas antes das eleições legislativas dos EUA, que serão realizadas na terça-feira.

"Em muitos aspectos, este é um exemplo de teste ideal, pelo menos no escopo limitado do que o Facebook anunciou que pretendia fazer - desmascarar e reduzir o alcance de notícias descaradamente falsas", disse Alexios Mantzarlis, que dirige a Rede Internacional de Verificação de Fatos no Instituto Poynter.

Já passaram mais de dois anos desde que a discussão eleitoral de 2016 nos EUA foi obscurecida com informações virais e falsas, como o relato de que Donald Trump contava com o apoio do papa. Embora o Facebook tenha assumido parte da responsabilidade pela disseminação de notícias falsas, a companhia tem sido lenta na resolução desse problema. A empresa decidiu que limitaria seus esforços a histórias comprovadamente falsas, e isso não seria feito diretamente. O Facebook trabalha com verificadores de fatos terceirizados, como PolitiFact e Snopes. Em entrevistas, os verificadores de fatos disseram com frequência que só têm funcionários suficientes para lidar com algumas histórias por semana, às vezes muito depois de elas terem se tornado virais. Quando as histórias são desmascaradas, o Facebook reduz o alcance delas.

É improvável que nesta eleição legislativa dos EUA alguma história viralize como o falso artigo sobre o apoio do papa. Sem mais dados, é difícil saber quanto desse progresso deve ser atribuído ao Facebook. Aqueles que estudam os piores transgressores da internet dizem que essas histórias não estão repercutindo tanto quanto antes. Pode ser que os leitores estejam mais sábios, disse Brooke Binkowski, editora executiva da TruthOrFiction.com.

"Os leitores se tornaram mais experientes", disse Binkowski, que antigamente trabalhava na Snopes, parceira do Facebook. "Eles compreendem que as notícias falsas são um problema e ficaram mais atentos."

O Facebook criou um sistema que aborda especificamente sites e páginas de notícias mentirosas. Mas isso transferiu parte da atividade das notícias falsas para posts e imagens que se tornam virais em grupos do Facebook, nos quais fotos antigas são frequentemente manipuladas ou renomeadas para se aplicar a notícias atuais.

Talvez os sites que publicam notícias falsas já não sejam um problema tão grande nos EUA, mas a polarização continua sendo. Os editores da extrema direita ou extrema esquerda - que não publicam notícias falsas, mas sim notícias em um contexto distorcido, com intenção de alarmar os leitores - ainda prosperam no Facebook. A rede social vem pedindo que os usuários avaliem a confiabilidade dos editores e tem colocado essas pontuações em seu algoritmo para resolver o problema. Ainda assim, notícias excessivamente tendenciosas prosperam.

"É difícil provar que estamos progredindo porque não há consenso sobre o que são as notícias falsas", disse uma porta-voz do Facebook em um comunicado. "Mas sabemos que este é um campo extremamente antagônico e temos mais trabalho a fazer."

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